A Resolução BCB no 518, de 03/11/2025, ataca um ponto cego antigo do sistema financeiro: a conta-bolsao que agrega recursos de muitos titulares sob um único CPF ou CNPJ, ocultando quem de fato move o dinheiro. A norma altera a Resolução BCB no 96/2021, determina o encerramento compulsorio das contas irregulares e exige que o beneficiário final seja identificado, com vigência em 1o/12/2025 e transição até dezembro de 2027. A resposta operacional passa por dados: identificar pessoas e empresas por tras de cada conta com base legal por finalidade.
O que mudou
A Resolução BCB no 518, de 03/11/2025, encerra a tolerância com a conta-bolsao: instituições precisam identificar o beneficiário final de cada conta, encerrar de forma compulsoria as estruturas irregulares e ajustar contratos. A norma altera a Resolução BCB no 96/2021, entrou em vigor em 1o/12/2025 e abre transição até dezembro de 2027 para regularizacao.
O nucleo da norma
Uma conta-bolsao e uma conta única, titulada por uma instituição ou empresa, que mistura recursos de diversos terceiros sem segregacao individual. O problema regulatorio e direto: ela quebra a rastreabilidade. Quando o supervisor olha o extrato, ve um titular; o dinheiro, porém, pertence a dezenas ou milhares de pessoas. A Resolução BCB no 518 fecha essa lacuna ao exigir identificação do beneficiário final e ao prever encerramento compulsorio das contas que não se adequarem.
Ha um instrumento equivalente para depositos no Conselho Monetario Nacional, a Resolução CMN no 5.261/2025, sinalizando que a agenda de transparência de titularidade e coordenada entre BACEN e CMN.
Fonte: Banco Central do Brasil, Resolução BCB no 518, de 03/11/2025 (altera Res. 96/2021); Resolução CMN no 5.261/2025.
Por que agora
A regra não surge isolada. Em 05/09/2025, as Resolucoes BCB no 494 a 497 reforcaram a autorização previa obrigatória de instituições de pagamento, com janela de regularizacao de 1 a 31 de maio de 2026 e KYC e PLD centralizados na instituição autorizada (BACEN, 2025). O conjunto move o mercado para um padrão em que cada real tem um dono identificavel.
KYC e KYB
Atender a Resolução BCB no 518 exige unir duas disciplinas: KYC (conhecer a pessoa fisica por tras da conta) e KYB (conhecer a estrutura societaria da pessoa jurídica até o beneficiário final). A norma transforma a identificação de titularidade real, antes tratada como item de auditoria, em requisito permanente de operação da conta.
KYC e KYB lado a lado
| Dimensão | KYC (pessoa fisica) | KYB (pessoa jurídica) |
|---|---|---|
| Objeto | Identidade e elegibilidade do titular | Cadeia societaria até o beneficiário final |
| Pergunta-chave | Está pessoa e quem diz ser? | Quem controla está empresa de fato? |
| Risco coberto | Identidade sintetica, conta laranja | Conta-bolsao, interposicao de socios |
| Insumo de dados | CPF, renda presumida, vínculos | CNPJ, quadro societario, QSA |
O desafio competitivo do mercado e de identidade. A fraude de identidade sintetica e deepfake cresceu mais de 900% em 2025, com o Brasil cinco vezes mais exposto que os Estados Unidos, e a manipulacao de video e audio subiu mais de 150% (Serasa Experian, Relatório de Identidade e Fraude 2026; Único, 2025). Isso eleva o custo de identificar o beneficiário final apenas por documentos.
Fonte: Serasa Experian, Relatório de Identidade e Fraude 2026; Único, 2025.
De ciclo periodico a continuo
A tendência de mercado e o KYC perpetuo (pKYC): em vez de revisoes anuais, monitoramento continuo orientado a eventos, em que uma mudança no quadro societario ou no vínculo de um titular dispara nova avaliação (Fenergo, Encompass, LiquidX, 2025-2026). A Resolução BCB no 518 empurra nesse sentido, já que o beneficiário final precisa permanecer identificado enquanto a conta existir.
Prazos e transição
A linha do tempo e curta na partida e longa na adequacao: vigência em 1o/12/2025, encerramento compulsorio das contas irregulares e transição até dezembro de 2027 para que as instituições regularizem carteiras existentes. Quem trata a transição como projeto único de fim de prazo acumula risco; o caminho seguro e remediar por ondas de risco.
Marcos regulatorios conexos
| Norma | Data | Efeito sobre titularidade |
|---|---|---|
| Resolução BCB no 96/2021 | 2021 | Base alterada pela no 518 |
| Resolução BCB no 518 | 03/11/2025 | Beneficiário final e fim das contas-bolsão |
| Resolucoes BCB no 494-497 | 05/09/2025 | Autorização previa de IPs; KYC/PLD centralizados |
| Resolução CMN no 5.261/2025 | 2025 | Equivalente para depositos |
A janela de regularizacao das instituições de pagamento, de 1 a 31 de maio de 2026, e um sub-prazo crítico dentro desse arco (BACEN, Resolucoes 494-497, 05/09/2025). A Circular BCB no 3.978, de 23/01/2020, já obrigava KYC, monitoramento continuo e comunicação ao COAF de operações em especie acima de R$ 50 mil em um dia útil; a no 518 adiciona a camada de titularidade real.
Fonte: BACEN, Resolucoes BCB no 494-497, de 05/09/2025; Circular BCB no 3.978, de 23/01/2020; Mapa de Empresas/Receita Federal, mai/2026.
Como atender com dados
Identificar o beneficiário final em escala e um problema de dados, não de formulário. A API da DataHub e a forma principal de atender: consultar CPF e CNPJ, reconstruir o quadro societario, cruzar vínculos e renda presumida e sustentar cada decisão com base legal por finalidade, em conformidade com a LGPD. SaaS e Projetos Especiais complementam casos que exigem painel ou esteira sob medida.
O que a base sustenta
A DataHub opera sobre uma base ampla e auditavel para responder quem está por tras de cada conta:
Fonte: DataHub, base canonica 2026.
Da norma ao fluxo
- KYB de entrada: ao abrir conta para pessoa jurídica, a API retorna o quadro societario e os controladores, apontando o beneficiário final.
- KYC do titular: validação de CPF, vínculos e renda presumida para sustentar elegibilidade.
- Reavaliacao por evento: mudancas societarias ou cadastrais disparam nova consulta, alinhado ao pKYC.
- Trilha de auditoria: cada consulta registra finalidade e base legal, atendendo a dosimetria da LGPD.
A LGPD (Lei no 13.709/2018) preve multa de até 2% do faturamento, com teto de R$ 50 milhões por infracao, e dosimetria pela Resolução CD/ANPD no 4, de 24/02/2023; a fiscalização se intensificou em 2024 e 2025 (ANPD, gov.br). Tratar dados com finalidade explicita não e burocracia: e o que torna a adequacao a no 518 defensavel.
Em complementaridade ao ecossistema de bureaus e datatechs, a abordagem orientada a API permite integrar a verificação de beneficiário final ao core bancario sem reescrever a esteira de onboarding.
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Fontes
- Banco Central do Brasil, Resolução BCB no 518, de 03/11/2025 (2025)
- Banco Central do Brasil, Resolucoes BCB no 494 a 497, de 05/09/2025 (2025)
- Serasa Experian, Relatório de Identidade e Fraude 2026 (2026)
- ANPD, LGPD (Lei no 13.709/2018) e Resolução CD/ANPD no 4, de 24/02/2023 (2023)