A reforma tributária chega ao varejo em fases, ao longo de oito anos-calendário. Este guia é para o dono de loja que quer saber o que muda em cada ano e onde isso encosta no caixa. Você vai ver o calendário, o ano que dói mais e a tarefa que dá para adiantar hoje.
O que muda em cada ano, de 2026 a 2033
A mudança não acontece num único dia. Ela se espalha por oito anos, e cada fase mexe em algo concreto na loja. A tabela abaixo cabe num papel colado atrás do balcão.
| Ano | O que muda no varejo |
| 2026 | Teste com 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS); cálculo informativo, sem efeito fiscal |
| 2027 | CBS substitui PIS e Cofins; IPI vai a zero (exceções na Zona Franca de Manaus); início do split payment |
| 2029-2032 | IBS sobe em proporção crescente; ICMS e ISS recuam na mesma medida |
| 2033 | Extinção de ICMS, ISS, PIS e Cofins; IVA dual pleno (IBS + CBS) |
O desenho é lento de propósito. Estados, prefeituras e empresas precisam ajustar sistemas antes de a cobrança pesar. Por isso 2026 entra como ensaio nacional, com os impostos novos rodando em ambiente real e efeito financeiro quase nulo.
Ver etapas em texto
- 2026 teste 1%
- 2027 CBS plena
- 2027 split payment
- 2029-2032 IBS sobe
- 2033 fim dos antigos
Pense na Loja do Pintor, uma loja de tintas com uma filial em outro estado. Para ela, o calendário é uma lista de tarefas com data. Cada linha da tabela vira um ajuste no sistema e no cadastro.
O que fazer ainda em 2026
Em 2026 a loja passa a destacar IBS e CBS em cada nota fiscal. O cálculo é apenas informativo e ninguém recolhe nada. A regra em vigor dispensa multa quando o campo sai incompleto durante a adaptação.
Na prática, este é o ano de limpar o cadastro. Cada SKU, ou seja, cada variação de produto, precisa da classificação tributária certa. O NCM, que é o código que identifica a mercadoria, precisa estar atualizado.
Comece também a registrar o crédito das compras. É esse registro que vai reduzir o imposto no futuro, e ele depende de nota bem preenchida pelo fornecedor. Fornecedor que erra o documento tira crédito seu.
O erro que mais custa caro é cadastral. Produto com código errado gera imposto errado em toda venda daquele item. Corrigir isso agora, com alíquota de 1%, sai muito mais barato do que descobrir em 2027.
Por que 2027 mexe no seu caixa
O ano de 2027 é a virada financeira. Três coisas acontecem juntas. A CBS passa a ser cobrada de fato e o IPI vai a zero. Entra também o split payment, que separa o imposto na hora em que o cliente paga.
Hoje o valor do PIS e da Cofins embutido no preço entra no caixa junto com a venda. Ele fica disponível até a data da guia e ajuda a girar a loja. Com o split payment esse intervalo some.
O imposto sempre foi devido. O que muda é o dia em que ele sai da conta, e esse adiantamento precisa de provisão. Na Loja do Pintor, isso significa reservar caixa antes da virada, e não depois.
Como o IBS entra no lugar do ICMS e do ISS
A troca é progressiva e ocupa quatro anos, de 2029 até 2032, sem salto. O IBS começa cobrando uma fatia da carga e cresce a cada ano. O ICMS e o ISS recuam na mesma medida, até sumirem.
Durante esses anos os dois sistemas convivem na mesma operação. Isso exige o sistema da loja calculando duas coisas ao mesmo tempo: o resto de ICMS e a parte crescente de IBS.
Para quem vende em mais de um estado, este é o trecho mais delicado do calendário. Entram ainda as regras de partilha entre a origem e o destino da mercadoria. Sistema que trata só uma camada gera nota rejeitada ou imposto a menor.
Quanto vai ser a alíquota cheia
A alíquota de referência do novo imposto gira em torno de 28%. Ela soma cerca de 9,3% de CBS e 18,7% de IBS, e as estimativas ficam entre 26,5% e 28%. É um dos números nominais mais altos do mundo.
O número assusta menos quando você olha como ele incide. O imposto pega só o valor que cada elo da cadeia acrescenta, e não o preço cheio de novo a cada etapa. Quem registra bem o crédito das compras paga sobre a margem.
Por isso a diferença entre um concorrente e outro vai estar na qualidade do registro fiscal. Duas lojas com o mesmo preço podem pagar valores diferentes. A que credita direito fica com mais dinheiro no fim do mês.
Como a Onclick ajuda
A pergunta do começo era o que muda em cada ano e onde isso encosta no caixa. O ERP Onclick, o sistema que organiza a loja por dentro, transforma esse calendário em parâmetro que roda sozinho.
O leiaute fiscal da nota e do cupom fica atualizado para os campos de IBS e CBS. O cadastro de produtos recebe a classificação tributária por item. A convivência entre imposto velho e novo é tratada na própria emissão.
Do PDV Web ao APIECOMM, com integração ao KPL e à base do ON CLOUD ERP, cada fase vira configuração em vez de planilha. Comece pelo cadastro ainda em 2026 e atravesse o calendário sem retrabalho.
Vale marcar as datas na agenda da loja agora. Uma revisão de cadastro por trimestre em 2026 já resolve boa parte do trabalho. Deixar tudo para o último mês transforma ajuste barato em correria cara.
Combine também com o seu contábil quem faz o quê em cada fase. Uma parte é cadastro, que é trabalho da loja. Outra parte é parâmetro de sistema, e essa depende de quem cuida do software.
Fonte: Lei Complementar 214/2025; Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 01, de 23 de dezembro de 2025; Câmara dos Deputados; alíquota de referência informada pelo Ministério da Fazenda, em declaração de Bernard Appy.
Perguntas frequentes
Quando começa e quando termina a reforma tributária?
A transição vai de 2026 a 2033, pela Lei Complementar 214/2025. O ano de 2026 é de teste, com alíquota simbólica de 1% e cálculo apenas informativo. Em 2027 a CBS substitui o PIS e a Cofins, e o IPI vai a zero. De 2029 a 2032 o IBS sobe no lugar do ICMS e do ISS. Em 2033 os impostos antigos acabam.
O que o varejo precisa fazer ainda em 2026?
Limpar o cadastro. Em 2026 a loja destaca IBS e CBS na nota, e o cálculo é apenas informativo, sem recolhimento. A regra do Ato Conjunto RFB/CGIBS 01/2025 dispensa multa por campo incompleto durante a adaptação. Aproveite para dar classificação tributária a cada produto, atualizar o NCM e começar a registrar o crédito das compras.
Por que 2027 é o ano mais sensível para o caixa?
Porque três mudanças acontecem juntas. A CBS passa a ser cobrada de fato no lugar do PIS e da Cofins. O IPI vai a zero. E começa o split payment, que retém o imposto na hora em que o cliente paga. O imposto sempre foi devido, e o que muda é o dia em que ele sai do caixa.
A partir de quando o IBS substitui o ICMS?
Aos poucos, ao longo de quatro anos, de 2029 até 2032, sem salto. O IBS começa cobrando uma fatia da carga e cresce a cada ano, enquanto o ICMS e o ISS recuam na mesma medida. Nesse período os dois sistemas convivem na mesma nota. Para quem vende em mais de um estado, é o trecho mais delicado do calendário.
Qual vai ser a alíquota cheia do novo imposto?
A alíquota de referência gira em torno de 28%, somando cerca de 9,3% de CBS e 18,7% de IBS. As estimativas ficam entre 26,5% e 28%. O número nominal é alto, e a carga que sobra é menor, porque o imposto incide só sobre o valor que cada elo da cadeia acrescenta. Quem registra bem o crédito das compras paga sobre a margem.
O que significa cálculo informativo em 2026?
Significa que a loja calcula e destaca IBS e CBS nos documentos fiscais sem recolher nada. O ano serve de ensaio para que empresas e administrações testem e ajustem os fluxos de informação antes da cobrança valer. Errar em 2026 custa retrabalho. Errar em 2027 custa dinheiro.