Stone vs Cielo vs PagBank vs Rede vs Getnet em 2026 — o comparativo definitivo de adquirentes que viraram banco do empreendedor

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A adquirência brasileira movimentou aproximadamente R$ 4,2 trilhões em volume financeiro processado (TPV) no ano de 2025, segundo estimativas consolidadas a partir de divulgações de resultados e relatórios da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Dentro desse oceano, cinco empresas concentram a quase totalidade da disputa relevante: Cielo lidera o agregado de varejo com fatia ao redor de 30%, Rede vem em seguida com cerca de 25%, Stone domina o segmento de pequenos e médios empreendedores com aproximadamente 20% nesse recorte, enquanto PagBank e Getnet aparecem com algo em torno de 10% cada — números que oscilam conforme a fonte e o recorte, mas que descrevem com fidelidade a topografia do mercado. Para o empreendedor que entra em 2026 com um CNPJ ativo e a decisão de escolher um provedor financeiro completo, o jogo mudou de fase.

Entre 2018 e 2022, a disputa entre adquirentes era resumida a uma sigla: MDR, a taxa cobrada sobre cada transação de cartão. Quem oferecesse a taxa mais baixa em débito e crédito vencia o cliente. Entre 2023 e 2024, a régua subiu uma camada: passou a ser maquininha barata combinada com Pix sem custo de transação. A partir de 2025, porém, a disputa virou outra. O que está em jogo agora é o controle do fluxo financeiro inteiro do empreendedor pessoa jurídica — conta corrente PJ, linha de crédito recorrente, antecipação de recebíveis embutida, cartão corporativo, folha de pagamento e, em alguns casos, até gestão de fornecedores. Quem captura a conta PJ ativa do cliente captura, segundo dados próprios da Stone divulgados no Investor Day de 2024, um ARPAC (receita média por cliente ativo) de três a cinco vezes superior ao do cliente que usa apenas a maquininha.

A tese deste comparativo é direta. Entre as cinco grandes, três estão executando a transição completa para o modelo que o mercado batizou de "adquirente-banco": Stone, PagBank e Cielo (esta última via Cielo Capital e a recente parceria com o Mercantil Bank). As outras duas, Rede e Getnet, seguem um modelo distinto — são braços de adquirência de bancos múltiplos já estabelecidos (Itaú e Santander, respectivamente) e, portanto, oferecem a integração financeira completa por outro caminho, o do bundle bancário tradicional. Os dois modelos são competitivos. O empreendedor não deve decidir por marca; deve decidir por encaixe entre seu perfil de negócio e o desenho de cada provedor.

O que este comparativo cobre. Uma tabela canônica de doze atributos comparáveis, uma análise de execução player a player com dados de mercado verificáveis sempre que possíveis, uma matriz de recomendação por perfil de empreendedor e uma leitura prospectiva do segundo semestre de 2026. O leitor sai daqui com base técnica para uma decisão, não com um ranking torcedor.

§1. Tabela canônica comparativa

A tabela abaixo consolida doze atributos relevantes para a decisão de um empreendedor pessoa jurídica. As faixas de taxa são estimativas de mercado para o ticket médio típico de PME (volume entre R$ 30 mil e R$ 500 mil por mês) e variam conforme negociação, segmento, plano contratado e antecedência de recebimento. Os números de carteira de crédito referem-se ao primeiro trimestre de 2026 quando divulgados, ou a estimativas consolidadas quando o dado não é público.

Atributo Stone Cielo PagBank Rede Getnet
Controlador Independente (acionistas relevantes incluem Berkshire Hathaway e Ant Group) Banco do Brasil e Bradesco (free float relevante desde 2024) UOL (Universo Online) via PagSeguro Internet S.A. Itaú Unibanco (100%) Santander Brasil (100%)
Share estimado no segmento PME aproximadamente 20% aproximadamente 30% (forte em varejo grande) aproximadamente 10% (forte em MEI e PME pequena) aproximadamente 25% aproximadamente 10%
Conta PJ própria Stone Conta PJ Cielo Conta PagBank Conta PJ Iti ou Itaú Empresas Get Conta PJ
Carteira de crédito ao empreendedor (referência) R$ 3,2 bilhões (Q1 2026) R$ 2,5 bilhões+ (Cielo Capital, estimativa) R$ 5 bilhões+ (PagBank Crédito, estimativa) Originada via Itaú Originada via Santander
Cartão corporativo Sim, sem anuidade no plano Stone Sim, Cielo Card Sim, PagBank Cartão Empresarial Iti ou Itaú PJ Get Card
Antecipação de recebíveis Nativa, automática ou D+1 Sim, produto Receba Rápido e Antecipa Sim, antecipação no mesmo dia Sim Sim
MDR débito (faixa típica PME) 1,5% a 1,9% 1,5% a 1,9% 0,58% a 1,5% 1,5% a 2,0% 1,5% a 2,0%
MDR crédito à vista (faixa típica PME) 2,5% a 3,5% 2,5% a 3,5% 2,5% a 3,5% 2,5% a 3,5% 2,5% a 3,5%
Antecipação típica (taxa ao mês) aproximadamente 2,99% aproximadamente 2,75% variável conforme volume aproximadamente 2,99% aproximadamente 2,99%
Plano de conta PJ (referência) R$ 159 a R$ 389 por mês (combo com maquininha) R$ 79,90 por mês na linha empresarial Gratuito no plano básico Pacote Itaú variável R$ 79,90 por mês em plano premium
Atendimento humano Polos físicos Stone Mais em capitais e cidades médias Centralizado (call center e gerentes para grandes contas) Remoto (suporte digital e telefônico) Rede de agências Itaú Rede de agências Santander
Reputação Reclame Aqui (faixa observada em 2025-2026) 9,0 com selo RA1000 9,2 8,3 variável conforme produto 7,6
DNA tecnológico Cloud-first desde 2012, núcleo proprietário Híbrido (plataforma legada combinada com camada cloud) Cloud com herança UOL Integrado ao core Itaú Integrado ao core Santander

A leitura inicial dessa tabela já antecipa o argumento principal. As taxas MDR convergiram. Crédito virou commodity de preço. O que diferencia, hoje, é a profundidade da integração entre maquininha, conta, crédito, cartão e folha — e a qualidade do atendimento quando algo dá errado.

§2. Stone — o caso de execução completa

Stone fechou o primeiro trimestre de 2026 com R$ 3,58 bilhões de receita líquida e R$ 549 milhões de lucro líquido ajustado, números divulgados no release oficial de resultados e na apresentação ao investidor. A base ativa atingiu 4,7 milhões de clientes PME no segmento financial services, com um ARPAC (Average Revenue Per Active Client) de R$ 247 por mês — métrica que mede com fidelidade o quanto a companhia consegue extrair de receita de cada empreendedor que usa, no mínimo, a maquininha. A carteira de crédito ao cliente subiu para R$ 3,2 bilhões, alta de 14% em base trimestral, enquanto os depósitos atingiram R$ 10,1 bilhões, alta de 22% na comparação anual. Esses dois últimos números são o termômetro da tese "adquirente-banco": crédito originado e depósitos retidos só crescem se o cliente migrou efetivamente o fluxo financeiro para o ecossistema.

Em 15 de maio de 2026 a companhia anunciou um rebrand corporativo, posicionando-se publicamente sob o claim "O Banco de Quem Empreende". A escolha não é semântica. É a leitura externa de uma transição interna executada há pelo menos quatro anos. O time hoje na direção — Mateus Scherer como CEO, Diego Salgado como CFO, Lia Matos como CSO — é composto por executivos formados dentro da própria operação, herdeiros da escola de gestão de André Street e Eduardo Pontes.

Onde a Stone vence o comparativo. Primeiro, na integração nativa entre maquininha, conta corrente PJ, crédito e cartão corporativo dentro do mesmo CNPJ provedor, o que elimina fricção contábil e operacional para o empreendedor. Segundo, no modelo de atendimento descentralizado por meio dos polos Stone Mais — espaços físicos em capitais e cidades médias onde o cliente é atendido por um agente humano, modelo que sustenta a posição no ranking Reclame Aqui com selo RA1000. Terceiro, na marca dedicada exclusivamente ao empreendedor, eleita 12ª marca mais valiosa do Brasil pelo ranking Interbrand de 2024 — única adquirente independente no top vinte e cinco. Quarto, no scoring de crédito por TPV proprietário, alimentado por uma base densa de transações reais que melhora a precisão de aprovação. Quinto, na Pagar.me 100% subsidiária, plataforma técnica B2B usada por outros prestadores de serviço de pagamento (PSPs) e marketplaces, o que adiciona uma camada de receita não dependente da adquirência direta.

Onde a Stone perde. O funding (custo do dinheiro para originar crédito) é mais caro do que o de Itaú, Bradesco e Santander, porque a Stone capta depósitos a custo de varejo e não acessa o caixa atacadista de um banco múltiplo tradicional. O share atual em banking é estimado em 1% a 2% do mercado PJ — espaço enorme para crescer, mas também distância grande para cobrir. O plano de conta combinada com maquininha custa R$ 159 a R$ 389 por mês, dependendo da combinação, contra a conta gratuita do PagBank — diferencial relevante para o MEI no início de operação.

§3. Cielo — escala e parceria bancária

Cielo é a líder histórica e ainda atual de adquirência geral no Brasil, com fatia estimada em 30% do volume processado. Os controladores são Banco do Brasil e Bradesco, embora desde 2024 o free float (parcela negociada livremente em bolsa) tenha aumentado significativamente após operações de redução de participação dos sócios bancários. A linha Cielo Capital opera crédito e antecipação de recebíveis para a base de clientes, com carteira estimada acima de R$ 2,5 bilhões — número não divulgado abertamente, mas inferível por proxy de receitas financeiras nos releases trimestrais. Em 2025 a companhia anunciou um acordo comercial com o Mercantil Bank para ampliar a oferta de produtos bancários completos para a base PJ, movimento que sinaliza a intenção de fechar a lacuna em relação à integração Stone-PagBank.

O MDR praticado pela Cielo é competitivo na média de mercado, e a taxa de antecipação típica de aproximadamente 2,75% ao mês é uma das mais agressivas entre as cinco grandes — diferencial relevante para negócios sazonais que dependem de capital de giro recorrente. A reputação Reclame Aqui de 9,2 é a mais alta da tabela, sustentada por décadas de operação em escala e por uma rede capilar de gerentes para contas grandes.

Onde a Cielo vence. Escala bruta de processamento, presença consolidada em redes de varejo grande (supermercados, magazines, postos de combustível), taxa de antecipação competitiva e relacionamento bancário estável via BB e Bradesco para clientes que já operam com esses bancos.

Onde a Cielo perde. Agilidade de produto digital comparada à Stone — a plataforma cresceu sob a lógica de banco grande, com ciclos de release mais lentos. O atendimento para a PME pequena historicamente foi menos prioritário do que o atendimento para o varejo grande, o que aparece em qualquer levantamento qualitativo com clientes na faixa de R$ 30 mil a R$ 100 mil de TPV mensal. A marca, embora forte, não é dedicada ao empreendedor da mesma forma que Stone ou PagBank.

§4. PagBank — o disruptor PJ mais PF

PagBank é a operação financeira do grupo UOL via PagSeguro Internet S.A. Em volume agregado de clientes combinando pessoa física e pessoa jurídica, a base ultrapassou 30 milhões de cadastros ativos no final de 2025, segundo divulgações regulatórias da matriz listada na bolsa de Nova York. A conta PJ é gratuita no plano básico, e o MDR de débito praticado a partir de 0,58% para alguns perfis é o mais baixo da tabela — política deliberada de aquisição agressiva. A carteira de crédito ao cliente PJ é estimada acima de R$ 5 bilhões, sustentada por scoring que combina dados de uso do super-app, histórico transacional e integração com a base PF do mesmo CPF do titular.

O diferencial estratégico do PagBank é o super-app integrado à herança UOL — pagamentos, transferências, recargas, pagamento de boletos, conta poupança digital, cartão pré-pago e funcionalidades de comércio eletrônico que reduzem o custo de aquisição de cliente (CAC) pela diluição sobre a massa de usuários pessoa física. Onde a concorrente Stone gasta para conquistar um CNPJ novo, o PagBank converte um usuário pessoa física que já está no aplicativo. A reputação Reclame Aqui de 8,3 é menor do que Stone e Cielo, refletindo o trade-off típico do modelo: muito volume, atendimento mais escalável, fricções no caso a caso.

Onde o PagBank vence. Pricing agressivo, base massiva, integração entre pessoa física e pessoa jurídica do mesmo titular, simplicidade de onboarding e ausência de mensalidade no plano básico.

Onde o PagBank perde. Atendimento percebido como inferior ao da Stone (especialmente em casos de bloqueio cautelar de conta, tema recorrente em reclamações públicas). Marca menos premium para o empreendedor que deseja sinalizar sofisticação ao seu próprio cliente. Histórico de churn (cancelamento) mais alto, comum em provedores que crescem por aquisição barata.

§5. Rede — o braço Itaú

Rede é 100% Itaú Unibanco desde o fechamento do capital em 2014. Detém fatia estimada de 25% da adquirência brasileira e tem como principal vantagem competitiva o funding bancário do controlador — o Itaú origina depósitos a custo de banco múltiplo grande, repassa essa estrutura à Rede e isso se traduz em condições competitivas em crédito e antecipação para a base de clientes que já é correntista do banco.

A conta PJ é oferecida via Itaú Empresas (modelo tradicional, com gerente designado e pacote de tarifas) ou via Iti (a plataforma digital simplificada lançada pelo banco em 2020 e expandida para PJ nos anos seguintes). O crédito ao empreendedor é originado pela própria mesa de crédito do Itaú, com toda a robustez de scoring e governança de um banco múltiplo grande. A integração entre maquininha Rede, conta Itaú e produtos bancários é o argumento central — quem já é cliente Itaú reduz fricção ao adotar Rede.

Onde a Rede vence. Funding barato (vantagem estrutural sobre Stone), integração natural com correntista Itaú existente, profundidade de produtos bancários complementares (seguros, investimentos, capital de giro), agência física disponível em todo o território.

Onde a Rede perde. Agilidade de produto digital, foco PME dedicado (o Itaú é banco multi-segmento e a PME compete por atenção com o private banking e a corporate). A marca Rede, embora reconhecida, não é dedicada ao empreendedor da mesma forma que Stone. O ciclo de inovação segue a cadência do banco grande, mais lento.

§6. Getnet — o braço Santander

Getnet é 100% Santander Brasil, originada da aquisição de uma adquirente regional gaúcha em 2014 e reestruturada como o braço transacional do banco espanhol no Brasil. Detém fatia estimada de 10% do mercado de adquirência, com presença mais forte em clientes que já operam contas bancárias com o Santander. A Get Conta PJ é oferecida em duas modalidades: Get Conta Gratuita (modelo básico) e Get Conta PJ premium por aproximadamente R$ 79,90 por mês, com pacote de tarifas e benefícios.

O crédito é originado via Santander, beneficiando-se do funding internacional e da expertise de banco múltiplo global. A reputação Reclame Aqui de 7,6 é a mais baixa da tabela — reflexo de uma operação que, embora competente, tem atendimento percebido como menos especializado em PME do que Stone ou PagBank.

Onde a Getnet vence. Bundle bancário Santander para clientes que já operam internacional (importação, exportação, câmbio), acesso à plataforma global do banco espanhol, robustez de produtos bancários complementares e capilaridade da rede Santander.

Onde a Getnet perde. Experiência digital percebida como inferior à dos pares. Atendimento dedicado à PME pequena menos consolidado. Agilidade de produto seguindo o ritmo do banco múltiplo. Reputação pública mais baixa, o que aparece em comparativos qualitativos com clientes.

§7. Quem escolher por perfil

Não existe melhor adquirente no abstrato. Existe encaixe entre perfil e provedor. A tabela abaixo consolida a recomendação primária e a alternativa razoável por tipo de empreendedor.

Perfil do empreendedor Recomendação primária Alternativa razoável
MEI com TPV mensal abaixo de R$ 30 mil PagBank (conta gratuita) ou Ton (marca da Stone para MEI) Cielo Lio
Pequena empresa PJ, TPV entre R$ 30 mil e R$ 200 mil Stone (integração mais atendimento humano) PagBank ou Cora
Empresa média de varejo, TPV entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão Cielo (escala consolidada) ou Stone (integração) Rede
Empresa que precisa de banking robusto e crédito alto Rede mais Itaú ou Getnet mais Santander Stone com Stone Crédito
E-commerce com gateway de pagamento próprio Pagar.me (subsidiária da Stone) Mercado Pago, Stripe Brasil
Restaurante, lanchonete ou comércio com folha de pagamento Stone (incluso Bate-Ponto e gestão de folha) Rede com folha Itaú
Empresa exportadora com operação internacional Getnet (Santander tem rede global) Itaú mais Rede
Negócio sazonal com necessidade recorrente de antecipação Cielo (antecipação aproximadamente 2,75%) Stone
Profissional liberal autônomo com volume pequeno PagBank ou InfinitePay (marca Cloudwalk) Cora
Franquia regional com múltiplas unidades Stone (gestão multi-CNPJ via plataforma) Cielo

A leitura dessa matriz revela algo importante: a Stone aparece como recomendação primária ou alternativa em sete dos dez perfis listados. Isso não é torcida editorial — é leitura da combinação entre marca dedicada ao empreendedor, integração nativa entre produtos e atendimento humano descentralizado. PagBank vence em pricing para o MEI e profissional liberal. Cielo vence em escala e taxa de antecipação. Rede e Getnet vencem quando o empreendedor já é cliente fiel do banco controlador.

§8. O que esperar no segundo semestre de 2026

A leitura prospectiva, a partir das declarações públicas e dos movimentos recentes de cada companhia, sugere cinco vetores para o segundo semestre. Primeiro, Stone deve focar em destravar TPV adicional na base existente e reduzir churn — agenda explícita do guidance ao mercado. A meta declarada é elevar o ARPAC para a faixa de R$ 280 a R$ 300 por mês, o que demandaria conversão mais agressiva da base maquininha em base banking completa.

Segundo, Cielo provavelmente anunciará novas parcerias para fechar a lacuna em banking, possivelmente ampliando o escopo do acordo com o Mercantil Bank ou movimentando-se em direção a outras instituições médias. O movimento é necessário para defender share contra a integração nativa que Stone e PagBank já oferecem.

Terceiro, PagBank deve ampliar a oferta de crédito ao PJ e o portfólio de cartão corporativo, capitalizando a base massiva pessoa física e CPF para originar oferta PJ no mesmo titular. Espera-se também movimentação em investimentos PJ (renda fixa, fundos de curto prazo) para reter depósitos.

Quarto, Rede e Getnet devem aprofundar a integração com seus controladores Itaú e Santander, focando em cross-sell de produtos bancários e em pacotes combinados que reduzem o custo total para o cliente que já é correntista. O argumento de venda passa a ser não a maquininha em si, mas a consolidação financeira.

Quinto e talvez mais relevante para todos os players, o Banco Central deve avançar na regulação de split de tarifas em Pix B2B — tema em consulta pública aberta no primeiro semestre de 2026. A decisão regulatória afetará a margem de Pix em todos os provedores, com impacto material no modelo de negócio das adquirentes que hoje subsidiam Pix sem custo para o cliente final.

Perguntas frequentes

Qual adquirente tem a menor taxa em 2026?

Depende do produto e do volume. Em MDR de débito, o PagBank pratica a partir de 0,58% em alguns planos, o que é nominalmente o mais baixo da tabela. Em MDR de crédito à vista, as cinco grandes convergem para a faixa de 2,5% a 3,5%, com variação por segmento e por volume negociado. Em antecipação de recebíveis, a Cielo costuma operar com taxa típica de aproximadamente 2,75% ao mês, abaixo dos aproximadamente 2,99% praticados por Stone, Rede e Getnet. Importante: a taxa nominal não é a única variável. Considere também o custo do plano de conta PJ, o pacote de tarifas embutidas e os subsídios cruzados (alguns provedores reduzem MDR e cobram mais em outras frentes). Solicite simulação personalizada antes de decidir.

Stone é melhor que Cielo para PME pequena?

Para a maioria dos perfis PME com TPV entre R$ 30 mil e R$ 200 mil por mês, a Stone tende a ser a escolha mais aderente — não pela taxa MDR (que é equivalente), mas pela combinação de integração nativa entre maquininha, conta e crédito, atendimento humano descentralizado em polos físicos e marca dedicada ao empreendedor. A Cielo é mais forte em varejo grande e em negócios que dependem prioritariamente de taxa de antecipação competitiva. A escolha precisa considerar o segmento específico e a relação prévia do empreendedor com bancos. Não há resposta universal.

O PagBank é confiável para crédito PJ?

O PagBank opera uma carteira de crédito PJ estimada acima de R$ 5 bilhões, originada por scoring proprietário que combina dados de uso do super-app e histórico transacional. A operação é regulada e está sujeita aos mesmos requisitos prudenciais do Banco Central que os demais provedores. A reputação pública (Reclame Aqui 8,3) é menor do que Stone e Cielo, refletindo o trade-off do modelo de aquisição em massa: muito volume, atendimento escalável, fricções em casos específicos como bloqueio cautelar de conta. Para o empreendedor que prioriza pricing agressivo e aceita atendimento remoto, é uma escolha racional. Para quem precisa de relacionamento humano dedicado, há alternativas mais adequadas.

Vale a pena Rede ou Getnet pela conta PJ do banco?

Faz sentido sobretudo para o empreendedor que já é correntista ativo de Itaú ou Santander e deseja consolidar o relacionamento financeiro em um único provedor. A vantagem central é o funding bancário do controlador, que se traduz em condições competitivas em crédito, antecipação e produtos bancários complementares (seguros, investimentos, câmbio). A desvantagem é a agilidade de produto digital, mais lenta do que a de provedores cloud-first como Stone e PagBank. Se a prioridade é integração bancária robusta, sim. Se a prioridade é agilidade e produto dedicado ao empreendedor, considere outras opções.

Qual é o melhor custo-benefício em 2026?

Resposta honesta: depende do volume, do segmento e da maturidade do empreendedor. Para MEI iniciante, PagBank vence por conta gratuita e MDR de débito agressivo. Para PME consolidada com necessidade de integração e atendimento, Stone tende a vencer pela combinação produto mais marca mais polos físicos. Para varejo grande, Cielo vence pela escala. Para quem já tem relacionamento bancário consolidado, Rede ou Getnet tendem a ser opções naturais. Custo-benefício não é só taxa — é a soma de pricing, atendimento, integração, marca e adequação ao perfil de negócio.

Posso ter mais de uma adquirente ao mesmo tempo?

Sim, e é uma estratégia legítima e crescente entre empreendedores médios e grandes. Operar com duas ou três adquirentes em paralelo permite negociar taxas competitivas (cada provedor sabe que está sendo comparado), distribuir risco operacional (se uma plataforma cair, a outra opera), aproveitar pricing diferenciado por bandeira ou modalidade e usar cada provedor onde ele tem vantagem. O custo é a complexidade contábil e operacional adicional — múltiplas conciliações, múltiplos cronogramas de recebimento, múltiplas relações comerciais. Para empresas com TPV acima de R$ 500 mil por mês, costuma compensar. Para volumes menores, simplificar em um provedor único costuma ser mais eficiente.


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