Em 2027 o imposto passa a sair da venda na hora em que o cliente paga. Este guia é para o dono de loja que precisa saber quanto dinheiro vai faltar no caixa por causa disso. Você vai ver a conta, o prazo e o que dá para fazer ainda em 2026.
O que muda quando o imposto sai na hora da venda
O split payment é o pagamento dividido: a maquininha separa o imposto no instante em que o cliente paga. A parte do Fisco vai direto para o governo. Só o líquido cai na sua conta.
Hoje funciona diferente. O valor do ICMS, do PIS e da Cofins entra no caixa junto com a venda. Ele fica com você até a data da guia, e nesse intervalo você gira estoque e paga fornecedor.
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| Item | Valor |
|---|---|
| Antes (folga atual) | 45dias |
| Depois (retenção) | 0dias |
Pense na Auto Peças Lima, uma loja de balcão que vende 300 mil reais por mês. Parte desse dinheiro é imposto e hoje dorme na conta por algumas semanas. Em 2027 ele sai no mesmo dia da venda.
Na prática, o que muda é o extrato. O valor que a maquininha repassa passa a vir menor, já sem a parte do IBS e da CBS. A guia do mês encolhe na mesma proporção, porque o imposto já foi entregue.
O nome disso é retenção na fonte, ou seja, o imposto sai antes de passar pela sua mão. Quem cuida da separação é o arranjo de pagamento, e não o seu setor fiscal. Para a loja, o trabalho vira conferir se o valor retido bate.
Por que isso vale de 30 a 45 dias de caixa
A conta começa pelo prazo que você tem hoje. Entre receber a venda e pagar a guia do imposto, o varejo trabalha com uma folga de 30 a 45 dias. É essa folga que o split payment tira.
O tamanho exato depende do regime da empresa e do dia em que ela apura. Uma loja que vende no dia 1º e recolhe no dia 20 do mês seguinte usa quase 50 dias de dinheiro do imposto. Outra, que apura mais cedo, usa bem menos.
O aperto é maior em loja de giro rápido e margem curta. Supermercado, atacado e loja online sentem primeiro, porque usam esse intervalo para repor estoque. Na Auto Peças Lima, o efeito aparece na compra do mês seguinte.
Vale reparar que ninguém está pagando mais imposto por causa disso. A loja está pagando no mesmo dia em que vende. Quem financiava o estoque com o dinheiro da guia precisa achar outra fonte para esse pedaço.
Como calcular o impacto no seu caixa
A conta cabe em quatro passos e você faz hoje, com o extrato do mês passado na mão. Refaça a cada seis meses até a virada.
- Some o faturamento do mês que paga IBS e CBS.
- Aplique a carga esperada dos dois impostos sobre esse valor. A alíquota de referência em discussão fica entre 26,5% e 28% na cobrança cheia, e o crédito das compras reduz o que sai de fato.
- Multiplique pelos dias de folga que você usa hoje antes de recolher, entre 30 e 45 dias.
- Divida por 30 para achar quanto dinheiro a mais precisa ficar parado no caixa.
Na Auto Peças Lima a conta fica assim, como cenário de exemplo. Sobre 300 mil reais de venda, uma carga cheia de 27% dá 81 mil reais de imposto no mês. Com 40 dias de folga hoje, o colchão a provisionar chega perto de 108 mil reais.
O número que sai dessa conta é o colchão que a loja precisa ter quando a retenção começar. Ele pode vir do caixa próprio ou de uma linha de crédito contratada antes do aperto, quando o juro sai mais barato.
Faça a conta duas vezes, uma com a folga mais curta e outra com a mais longa. A diferença entre as duas mostra o tamanho do risco. É esse intervalo que o seu gerente de banco vai querer ver.
Quais datas organizam o seu planejamento
O calendário da reforma dá tempo, desde que você comece pelo começo. Quatro marcos bastam para montar o plano da loja.
- 2026: ano de teste do leiaute da nota fiscal com alíquota de 1%. É a janela para conferir se os seus dados estão certos.
- 2027: a CBS substitui o PIS e a Cofins, e começa a primeira fase do split payment.
- De 30 a 45 dias: a folga de caixa que some quando a retenção passa a valer.
- 2033: fim da transição, com os impostos antigos extintos.
O marco de 2026 é o mais barato de aproveitar. Nele você testa o cadastro de produto, a alíquota e o cliente na nota, sem que um erro custe dinheiro. Cada dado errado descoberto agora é uma retenção errada que você evita em 2027.
Quanto o crédito de IBS e CBS devolve ao seu caixa
O crédito ajuda, e ajuda menos do que parece. Cada compra que a loja faz gera crédito de IBS e CBS, e isso reduz o imposto do mês. O problema está no calendário.
A retenção acontece na venda, no mesmo segundo em que o cliente paga. O crédito da compra entra na apuração depois. Entre um e outro existe um intervalo, e é esse intervalo que aperta o caixa.
flowchart LR A[Cliente paga] --> B[Liquidação] B --> C[Imposto segregado ao Fisco] B --> D[Líquido ao lojista] D --> E[Provisão de capital de giro]
Há um segundo detalhe que pega o lojista de surpresa. O crédito só existe se a compra veio com nota e com o cadastro certo. Fornecedor que erra o documento tira crédito seu, e você só descobre na apuração.
Por isso o planejamento de 2026 vale dinheiro. Quem simula o próprio ciclo agora chega a 2027 com provisão feita e crédito contratado. Quem descobre o efeito no primeiro mês aprende a regra nova já sem fôlego.
Como a Onclick ajuda
No começo deste guia a pergunta era quanto dinheiro vai faltar no seu caixa a partir da virada. O ERP Onclick, o sistema que organiza a loja por dentro, responde com o seu próprio número.
O sistema junta o faturamento, o prazo de cada meio de pagamento e a apuração de IBS e CBS. Com isso você simula quantos dias de giro serão retidos e quanto precisa guardar.
Ligado ao PDV Web e ao APIECOMM, ele mostra o líquido real de cada venda. Faça essa simulação ainda em 2026 e chegue a 2027 com o colchão pronto, na Auto Peças Lima ou na sua loja.
Comece pelo dado, que é a parte mais demorada. Produto sem classificação certa e cliente sem cadastro completo geram retenção errada na origem. Arrumar isso em 2026 custa horas; arrumar em 2027 custa caixa.
Fonte: Lei Complementar 214/2025; análises da transição publicadas pela JoomPulse em maio de 2026; orientações técnicas da Tecnospeed; alíquota de referência em discussão no Senado Federal.
Perguntas frequentes
O que é o split payment e quando ele começa?
O split payment é o pagamento dividido. A partir de 2027, no instante em que o cliente paga, a maquininha separa a parte do imposto e manda direto ao Fisco. Só o líquido cai na conta da loja. A regra está na Lei Complementar 214/2025 e vale para o IBS e a CBS.
Por que o split payment mexe no caixa da loja?
Hoje o ICMS, o PIS e a Cofins entram no caixa junto com a venda. Esse dinheiro fica com você até a data da guia e ajuda a girar a loja. Com o split payment ele nunca chega a ficar. O imposto sempre foi devido; o que muda é a hora de pagar.
Quantos dias de caixa eu perco com o split payment?
De 30 a 45 dias, na média do varejo. Esse é o intervalo entre receber a venda e pagar a guia do imposto. Ele varia com o regime e com a apuração de cada loja. O aperto é maior onde o giro é rápido e a margem é curta.
Como eu calculo o impacto no meu caixa?
São quatro passos. Some o faturamento do mês que paga IBS e CBS. Aplique a carga esperada dos dois impostos, hoje discutida entre 26,5% e 28% na cobrança cheia. Multiplique pelos dias de folga que você usa antes de recolher, entre 30 e 45 dias. Divida por 30 e você tem o colchão a provisionar.
O crédito de IBS e CBS resolve o aperto?
Ele ajuda e não resolve sozinho. Cada compra da loja gera crédito de IBS e CBS, o que reduz o imposto do mês. O problema está no calendário. A retenção acontece na venda, e o crédito da compra só entra na apuração depois.
Que erro o lojista mais comete com o split payment?
Tratar uma mudança de prazo como perda de margem. O imposto já era devido antes, e o que muda é o dia em que ele sai do caixa. Outro erro é olhar só a alíquota e esquecer o intervalo entre a retenção na venda e o crédito da compra. Quem simula o ciclo em 2026 chega a 2027 sem susto.