Panorama de mercado

A tendência que vai redefinir o mercado de dados de risco PJ até 2027 tem nome: IA agêntica conectada por Model Context Protocol (MCP). A leitura curta para quem decide produto e arquitetura de dados é direta: a plataforma de dados deixa de ser uma fonte que um humano consulta e passa a ser uma ferramenta que um agente aciona. Quem não expõe seu dado de forma agente-consumível some do fluxo de decisão, por mais rica que seja a base. A projeção do Gartner de que 80% das interações de agentes de IA com aplicações SaaS ocorrerão via servidores MCP até 2027, contra menos de 5% em 2025 [fonte: digitalapplied, 2026], transforma essa exposição de experimento em pré-requisito de distribuição.

O que muda quando o consumidor do dado é um agente, não um analista

Por quinze anos o jogo do dado cadastral foi sobre cobertura e qualidade. Quem tinha o CNPJ mais atualizado, o quadro societário mais limpo e a base de PEP mais completa ganhava a venda. Essa disputa não acabou, mas deixou de ser suficiente. A virada de 2026 é sobre o ponto de consumo: a decisão de risco passou a ser tomada dentro do assistente de IA, e o dado precisa chegar exatamente ali.

A IA agêntica se distingue da automação de regra por três traços. Ela planeja em múltiplos passos, usa ferramentas externas de forma adaptativa e opera em ciclos de percepção e ação guiados por objetivo. Em vez de executar um fluxo pré-configurado, o agente decompõe uma instrução de alto nível como "avalie o risco deste fornecedor" em sub-tarefas, decide quando chamar uma API, quando consultar uma base e quando pedir intervenção humana. A consequência para o setor de dados B2B é estrutural: grande parte do valor sempre esteve na orquestração de múltiplas fontes, validações e decisões repetitivas, e é precisamente esse trabalho que o agente assume.

O analista de crédito não abre mais quinze abas. Ele pergunta ao assistente. Quando a verificação de risco vive fora desse fluxo, ela introduz fricção, e fricção em escala significa que a checagem é pulada ou feita pela metade.

O que é Model Context Protocol em uma frase

Model Context Protocol (MCP) é um padrão aberto que define como modelos de linguagem se conectam a ferramentas, recursos e dados externos. A arquitetura é cliente-servidor sobre JSON-RPC 2.0: o servidor expõe ferramentas, recursos e streams, e o cliente, tipicamente um agente movido a LLM, descobre essas capacidades, lê suas descrições estruturadas e invoca chamadas conforme a necessidade. Funciona como uma tomada universal entre a inteligência artificial e os sistemas que guardam o dado de verdade. Em vez de cada empresa construir uma integração proprietária para cada assistente, o MCP estabelece um contrato único que qualquer agente compatível entende.

A consolidação do padrão foi rápida. A Anthropic lançou o MCP em novembro de 2024 [fonte: Anthropic, 2024]; OpenAI, Microsoft e AWS aderiram ao longo de 2025, e em dezembro de 2025 havia mais de 10 mil servidores públicos ativos, com a Anthropic doando o protocolo à Agentic AI Foundation, dentro da Linux Foundation [fonte: digitalapplied, 2026]. Deixou de ser ativo de uma empresa e virou infraestrutura compartilhada do setor.

Por que a janela é 2026-2027

A convergência tecnológica encontra um aperto regulatório que torna a checagem de risco PJ obrigatória, não opcional. A Resolução Conjunta nº 16/2025 (BCB/CMN) regula os modelos de Banking as a Service e exige identificação, qualificação e prevenção à lavagem de dinheiro na cadeia de tomadores do serviço, o que só escala com KYB automatizado [fonte: Dock, 2026]. A Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, regulamentou o mercado de apostas de quota fixa em vigor desde 1º de janeiro de 2025, trazendo exigências de integridade que esse segmento ainda aprende a cumprir [fonte: Planalto, 2023]. E o custo de errar deixou de ser teórico: o COAF recebeu o recorde de 3,1 milhões de comunicações de operações suspeitas em 2025, alta de 20% sobre 2024, e aplicou R$ 96,9 milhões em multas, quase 120% acima do ano anterior [fonte: Conjur, 2026].

Cada nova obrigação multiplica o número de checagens por contrato. O KYB deixou de ser uma consulta de abertura de conta e virou processo contínuo: situação cadastral, quadro societário, beneficiário final, cruzamento com PEP e sanções, monitoramento de mudanças. Fazer isso manualmente, abrindo portais, não escala. Entregar via MCP, para que o próprio agente do analista execute a diligência na conversa, é o que converte obrigação regulatória em fluxo operacional viável.

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Fontes

  1. digitalapplied - MCP adoption statistics 2026 (Gartner: 80% das interações de agente via MCP até 2027) (2026)
  2. Anthropic - Introducing the Model Context Protocol (2024)
  3. Model Context Protocol - especificação (arquitetura cliente-servidor sobre JSON-RPC 2.0) (2025)
  4. Comply - primeiro servidor MCP de plataforma de compliance em serviços financeiros (2026)
  5. leadgen-economy - MCP como middleware empresarial e a discoverability como vantagem (2026)
  6. Conjur - COAF bate recorde de comunicações suspeitas em 2025 e multas de R$ 96,9 milhões (2026)
  7. Dock - regulamentação do BaaS e a Resolução Conjunta BCB/CMN 16/2025 (2026)
  8. Planalto - Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023 (apostas de quota fixa) (2023)
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