A partir de 2 de fevereiro de 2026, o MED 2.0 do Pix passa a seguir a trilha do dinheiro mesmo depois de várias transferências, com bloqueio simultâneo em múltiplas contas. A mudança quebra a lógica da pulverização usada pelos golpistas e exige uma esteira antifraude que sabe, em tempo real, quem é o beneficiário de cada conta envolvida.
A devolução deixou de parar na primeira conta
Os golpes com Pix cresceram 43% e somaram R$ 2,7 bilhões em prejuízo em dois anos (Febraban, via Finsiders Brasil, 2025). A resposta regulatória chega com o MED 2.0, o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, aprovado pelo Banco Central, testado em novembro de 2025 e obrigatório para todas as instituições em 02/02/2026 (Banco Central do Brasil, 2026).
A versão anterior tinha um limite prático. O rastreio do dinheiro parava na primeira conta receptora, e bastava ao fraudador espalhar o valor em várias contas-laranja para escapar. O MED 2.0 muda isso ao seguir a cadeia de transferências e bloquear valores em múltiplas contas ao mesmo tempo (Banco Central do Brasil, documento MED 2.0 Circuito Pix-Dia 1, 2026).
Para a instituição, o efeito é operacional. O novo fluxo só funciona se a esteira souber, em segundos, quem está por trás de cada conta na cadeia. Essa página detalha o que muda e qual dado sustenta o novo processo.
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O que é e por que agora
O MED 2.0 é a evolução do Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Foi aprovado pelo Banco Central, entrou em testes em novembro de 2025 e fica disponível a todos os usuários e obrigatório para todas as instituições a partir de 2 de fevereiro de 2026 (Banco Central do Brasil, 2026).
A pressão que justifica a medida é mensurável. Cerca de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo o Pix em 2025, e pessoas acima de 50 anos respondem por 53% dos casos (ESET / WeLiveSecurity, 2026). No agregado bancário, as fraudes geraram R$ 10,1 bilhões de prejuízo em dois anos, alta de 17% sobre o biênio anterior (Febraban, via Finsiders Brasil, 2025).
O MED 2.0 não é um item isolado. Na agenda evolutiva do Pix, ele aparece ao lado do Pix Automático e da cobrança híbrida, que entram em produção em outubro de 2026 (Matera, 2026). É a camada antifraude dessa agenda.
Seguir a trilha do dinheiro
A inovação central é o rastreamento em cadeia. O Banco Central passa a seguir a trilha do dinheiro mesmo após várias transferências, quando antes o rastreio parava na primeira conta receptora (Banco Central do Brasil, documento MED 2.0 Circuito Pix-Dia 1, 2026).
Isso ataca diretamente a técnica de pulverização, o smurfing. O golpista recebe o valor e o divide rapidamente entre dezenas de contas-laranja para diluir e esconder a origem. Com o bloqueio cautelar simultâneo em múltiplas contas, o MED 2.0 trava esses valores ao mesmo tempo, reduzindo a eficácia da pulverização (Banco Central do Brasil, 2026).
O ecossistema de fraude opera de forma industrializada, o que torna a velocidade decisiva. A Serasa Experian registrou média de 152 mensagens por minuto entre fraudadores compartilhando modus operandi, em rede de mais de 2 mil grupos, no primeiro trimestre de 2026 (Serasa Experian, via Mobile Time, 2026).
O novo circuito de devolução
O fluxo começa na contestação do usuário e segue por um circuito definido entre as instituições do pagador e do recebedor. O MED 2.0 possibilita a devolução em até 11 dias após a contestação, desde que ainda exista saldo disponível nas contas envolvidas (Matera, guia MED 2.0, 2026).
A condição do saldo é o ponto crítico. O bloqueio cautelar simultâneo existe justamente para preservar valor enquanto a análise corre, porque sem saldo não há o que devolver. Por isso, o tempo de reação da esteira entre a contestação e o bloqueio passa a ser um indicador de desempenho do antifraude.
O guia técnico para instituições detalha os fluxos obrigatórios a partir de 02/02/2026 (Matera, 2026). Na agenda do Pix, o marco do MED 2.0 está posicionado para o primeiro semestre de 2026 (Matera, 2026), alinhado à virada de obrigatoriedade.
O dado de beneficiário que sustenta o fluxo
O rastreamento em cadeia só produz bloqueios úteis quando a instituição identifica, em tempo real, quem está por trás de cada conta da cadeia. Esse é um problema de dado de beneficiário, não apenas de transação. A própria regulação prudencial reforça a direção ao mirar as contas-bolsão e exigir beneficiário final identificável (Editora Roncarati, Resolução BCB nº 518, 2025).
A DataHub atua como camada de dados que enriquece a esteira com identificação e vínculos do titular da conta de destino, ajudando o time de risco a separar conta legítima de conta-laranja antes do bloqueio. O desafio é reconhecido pelo próprio mercado: 80% das lideranças apontam dificuldade em obter visão unificada de dados entre fraude e PLD (SEON, AI Reality Check 2026).
A maturidade ainda é baixa, o que amplia o valor de um dado consistente. Apenas 33% das instituições usam IA disruptiva para detectar operações suspeitas, e mais de 76% das instituições S4 e S5 não usam nenhum modelo de IA em PLD/FTP (EY Brasil, 2026).
Por que o investimento em dado se justifica
A pressão de fraude continua subindo. As tentativas de fraude de identidade digital cresceram 36,6% no primeiro trimestre de 2026, com 368 mil tentativas em transações e 1,5 milhão em aberturas de conta, e potencial de prejuízo de até R$ 1,98 bilhão (Serasa Experian, via TI Inside, 2026).
O setor já reage com orçamento. Os bancos brasileiros projetam crescimento de 61% nos investimentos em IA, Analytics e Big Data, dentro de um total de R$ 47,8 bilhões em tecnologia, avanço de 13% sobre 2024 (SEGS, dados Febraban/Deloitte, 2026). E o apetite por plataformas integradas de identidade e risco é claro: 78% esperam que a identidade digital se torne central (SEON, 2026).
No mercado, a verificação de identidade que ancora essas plataformas deve crescer de US$ 15,84 bilhões em 2026 para US$ 50,58 bilhões em 2034, a um CAGR de 15,6% (Fortune Business Insights, 2026). O dado de beneficiário deixa de ser acessório e vira insumo de operação.
Dúvidas frequentes sobre o MED 2.0
Reunimos as perguntas mais comuns de times de risco e produto sobre o novo mecanismo e seus prazos.
As respostas seguem o material público do Banco Central e o guia técnico para instituições, sempre com fonte e ano (Banco Central do Brasil, 2026; Matera, 2026).
A esteira antifraude precisa do dado certo antes do bloqueio
O MED 2.0 transfere para a instituição a obrigação de agir em cadeia e em segundos. O rastreamento multi-conta e o bloqueio cautelar simultâneo só geram devolução real quando há saldo, e isso depende de identificar, no momento certo, quem é o beneficiário de cada conta da trilha (Banco Central do Brasil, 2026).
A DataHub entrega essa camada de dados de forma que se conecta à esteira existente. A forma principal de entrega é a API, com SaaS e Projetos Especiais como complementos, sempre sob finalidade legítima, base legal definida e conformidade com a LGPD. O dado de beneficiário e os vínculos do titular abastecem a decisão de bloqueio e contestação sem trocar a infraestrutura do cliente.
Pelo eixo de integridade e compliance, a DataHub apoia a identificação de contas-bolsão e a rastreabilidade do beneficiário final exigida pela regulação (Editora Roncarati, Resolução BCB nº 518, 2025). Em um cenário em que 80% das lideranças relatam dificuldade de visão unificada de dados (SEON, 2026), reduzir esse atrito é o diferencial operacional. Quem tem dados, decide melhor.
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Fontes
- Banco Central do Brasil — MED 2.0 (perfil oficial @BancoCentralBR)
- Banco Central do Brasil — documento oficial MED 2.0 Circuito Pix-Dia 1
- Matera — guia MED 2.0 para instituições
- Matera — Agenda Evolutiva do Pix
- Febraban (via Finsiders Brasil) — golpes com Pix
- ESET / WeLiveSecurity — golpes com Pix em 2026
- Serasa Experian (via TI Inside) — fraude de identidade digital 1T26
- Serasa Experian (via Mobile Time) — industrialização da fraude
- Editora Roncarati — Resolução BCB nº 518 (contas-bolsão)
- EY Brasil — estudo de maturidade PLD/FTP
- SEON — AI Reality Check 2026 (via Fintech News Singapore)
- SEGS — investimentos em IA no setor financeiro (Febraban/Deloitte)
- Fortune Business Insights — Identity Verification Market