Panorama de mercado

A consolidação mudou o mapa: um neobank virou a maior instituição privada por clientes

O mercado financeiro brasileiro atravessou em 2025 e 2026 um ponto de inflexão estrutural. A Nubank tornou-se a maior instituição financeira privada do Brasil por número de clientes ao fim de 2025, com mais de 112 milhões de clientes, o equivalente a cerca de 61% da população adulta do país, e anunciou intenção de obter licença bancária no Brasil em 2026 [fonte: Nubank/Business Wire, 2025-2026].

Esse movimento não é isolado. Ele sinaliza a maturação de uma geração inteira de bancos digitais que saiu da fase de aquisição acelerada de base e entrou na fase de monetização por carteira (crédito, seguros, investimentos), que é justamente onde o dado de risco e de enriquecimento deixa de ser conveniência e passa a ser insumo crítico de margem.

A corrida por licença bancária importa para a demanda de dados por um motivo direto. Operar como banco amplia o leque de produtos de crédito e a exposição a risco regulatório, e cada produto novo exige uma nova camada de decisão automatizada ancorada em dados sobre o mesmo cliente. Quanto maior a base e mais amplo o portfólio, maior a frequência com que cada CPF e cada CNPJ precisa ser reavaliado.

Leitura para o comprador: consolidação de base não reduz a demanda por dados, ela a multiplica. Mais produtos por cliente significam mais decisões por cliente, e cada decisão consome enriquecimento e sinais de risco.

O BaaS adensa a infraestrutura e multiplica os pontos de onboarding

Em paralelo à consolidação dos neobanks, o Banking as a Service (BaaS) adensa a infraestrutura financeira do país. O mercado brasileiro de BaaS foi avaliado em cerca de US$ 870 milhões em 2025 e deve chegar a US$ 1,78 bilhão até 2032, com CAGR de aproximadamente 10,8% entre 2026 e 2032, com fintechs e neobanks representando 45% do mercado em 2025 [fonte: MarkNtel Advisors, 2025].

O efeito do BaaS sobre a demanda de dados é multiplicador. Provedores como QI Tech, Dock, Celcoin, Fitbank e Zoop embutem conta, crédito e pagamentos em empresas que não são instituições financeiras, do varejo à plataforma de software. Cada empresa que passa a oferecer serviço financeiro embarcado vira um novo ponto de onboarding de PF e PJ, com a mesma obrigação de verificar identidade, validar cadastro e avaliar risco que um banco teria.

O Brasil já conta com mais de 2.000 fintechs ativas, cerca de 56% das fintechs da América Latina, e desde setembro de 2025 passou a exigir que fintechs sigam as mesmas regras de KYC/AML aplicadas aos bancos, com monitoramento contínuo obrigatório [fonte: Didit/Celcoin, 2025-2026]. A equiparação regulatória significa que o adensamento do BaaS não gera apenas mais onboardings, gera mais onboardings sob exigência de compliance equivalente à de banco.

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Fontes

  1. Nubank (sala de imprensa) / Business Wire (2025-2026)
  2. MarkNtel Advisors - Brazil Banking as a Service (BaaS) Market (2025)
  3. Didit / Celcoin - KYC and AML Compliance in Brazil (2025-2026)
  4. FEBRABAN / Finsiders Brasil (2024-2025)
  5. Serasa Experian via CartaCapital - prevenção a fraude acima de marketing (2025-2026)
  6. Serasa Experian - Quem Somos (2025-2026)
  7. McKinsey - State of AI trust in 2026 (2026)
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