Apenas 33% das instituições financeiras brasileiras usam modelos de IA disruptiva para detectar operações suspeitas, e mais de 76% das menores (S4 e S5) não usam nenhum modelo de IA em PLD/FTP. O gap não se fecha comprando algoritmo. Fecha-se primeiro com dados externos autoritativos por baixo do monitoramento.

A IA em prevenção a crimes financeiros ainda engatinha no Brasil

O Estudo de Maturidade PLD/FTP da EY Brasil colocou número numa percepção antiga do mercado. Apenas 33% das instituições financeiras pesquisadas usam modelos de IA disruptiva para detectar operações e situações suspeitas com mais rapidez e precisão (EY Brasil, 2026). O uso é classificado como incipiente, com predominância das grandes instituições do segmento S1.

A leitura por técnica reforça o diagnóstico. Apenas 14% usam machine learning para monitoramento de transações suspeitas, 11% aplicam ML para classificação e análise de risco e 9% empregam IA generativa como assistente de análise de operações (EY Brasil, 2026). São fatias pequenas para uma agenda tratada como prioritária no discurso do setor.

Para a instituição de pagamento e a fintech menor, a conclusão prática não é correr atrás do modelo proprietário. É garantir primeiro que o monitoramento atual enxergue o contexto certo. Modelo bom sobre dado pobre erra com confiança. A camada de dados externos vem antes do algoritmo.

Explore o tema por eixo

Use as abas para percorrer os eixos do tema sem sair desta pagina.

Maturidade incipiente, concentrada no topo

O Estudo de Maturidade PLD/FTP da EY classificou o uso de IA na prevenção a crimes financeiros como incipiente no Brasil. Só 33% das instituições pesquisadas aplicam IA disruptiva para detectar operações suspeitas com mais rapidez e precisão, e o uso se concentra nas grandes instituições S1 (EY Brasil, 2026).

A amostra ajuda a entender de onde fala o estudo. Foram 51 instituições financeiras, com bancos comerciais à frente (19, ou 37%), seguidos por seguradoras (12, ou 24%) e instituições de pagamento (6, ou 12%) (EY Brasil, 2026). É um retrato do setor regulado, não só dos gigantes.

O pano de fundo é de pressão crescente. Os bancos brasileiros projetam alta de 61% nos investimentos em IA, Analytics e Big Data no ano, dentro de um orçamento de tecnologia de R$ 47,8 bilhões, 13% acima de 2024 (SEGS, dados FEBRABAN/Deloitte, 2026). O dinheiro existe. A maturidade ainda não acompanhou.

Onde a IA já aparece e onde ainda não

A pesquisa da EY mediu técnica por técnica. Machine learning para monitoramento de transações suspeitas aparece em 14% das instituições, ML para classificação e análise de risco em 11% e IA generativa como assistente de análise em 9% (EY Brasil, 2026). Nenhuma técnica passa de um sexto da amostra.

O contraste internacional é instrutivo. A EY Nordic Transaction Monitoring Survey 2025 aponta que 30% dos bancos nórdicos já implementaram IA em monitoramento de transações e 75% planejam ampliar o investimento (EY Suécia, 2025). E o relatório AI Reality Check 2026 da SEON, com 1.010 líderes de fraude e compliance, indica que 98% das organizações já integram IA nos fluxos de fraude e PLD (SEON, 2026).

A lacuna entre o discurso global e a prática brasileira não é só de orçamento. A SEON aponta que 80% dos líderes acham desafiador obter visão unificada de dados, e 47% rodam fluxos realmente integrados entre fraude e PLD (SEON, 2026). O gargalo costuma ser dado, não modelo.

O abismo entre grandes e pequenas instituições

O dado mais revelador do estudo é o do segmento menor. Mais de 76% das instituições classificadas como S4 e S5 pelo Banco Central não utilizam nenhum modelo de IA em atividades de PLD/FTP (EY Brasil, 2026). Enquanto os grandes S1 puxam a adoção, a base do sistema opera sem essa camada.

O problema é que a exposição não é proporcional ao porte. A Serasa Experian contabilizou 368 mil tentativas de fraude em transações e 1,5 milhão em aberturas de conta no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% sobre o ano anterior, cerca de uma tentativa a cada cinco segundos (Serasa Experian, 2026). O fraudador não pergunta o porte da instituição antes de atacar.

Construir modelo próprio de IA exige time de ciência de dados, histórico rotulado e governança de modelo, recursos escassos fora do S1. Por isso a alavanca prática para o S3, S4 e S5 é outra. Enriquecer o monitoramento existente com dados externos autoritativos entrega ganho de detecção sem o custo de um laboratório de ML.

Dado externo como primeira alavanca de detecção

O regulador deixou explícito que dados são insumo de compliance. A Resolução BCB nº 518 (2025) determina que cada instituição estabeleça critérios próprios de identificação de contas-bolsão usando bases públicas e privadas, e amplia as hipóteses de encerramento compulsório de contas (Banco Central, 2025). Quem não tem dado externo bom não consegue cumprir o critério com consistência.

A DataHub atua exatamente nessa camada. Em vez de a fintech menor construir um modelo de IA do zero, ela conecta o monitoramento atual a sinais externos autoritativos que dão contexto à transação, ao titular e ao beneficiário final, alvo declarado da Resolução 518 ao combater fraude e lavagem (Editora Roncarati, 2025).

É a sequência correta de maturidade. Primeiro o dado externo qualifica o alerta e reduz o ruído da esteira. Depois, com base limpa e contextualizada, o modelo de IA proprietário passa a ter terreno para gerar ganho real. Dado antes de algoritmo, não o contrário.

Os números que sustentam a tese

A foto da maturidade vem da EY. Só 33% das instituições usam IA disruptiva para detectar suspeitas, as técnicas específicas ficam em 14% (ML monitoramento), 11% (ML risco) e 9% (GenAI assistente), e mais de 76% das S4/S5 não usam nenhum modelo de IA em PLD/FTP, sobre amostra de 51 instituições (EY Brasil, 2026).

A pressão externa que torna o gap perigoso também está quantificada. As fraudes e golpes geraram R$ 10,1 bilhões de prejuízo ao setor bancário em dois anos, com golpes via Pix em alta de 43% (Febraban, 2025). E os ataques de deepfake cresceram 126% no Brasil, com fintechs entre os três setores mais atingidos (Sumsub, 2026).

O mercado de IA em RegTech deve saltar de US$ 3,51 bilhões em 2026 para US$ 12,33 bilhões em 2030, CAGR de aproximadamente 36,9%, o segmento de maior aceleração dentro de RegTech (The Business Research Company, 2026). A demanda por dado e inteligência regulatória cresce mais rápido que a capacidade interna das instituições menores.

Dúvidas frequentes sobre IA em PLD/FTP

Reunimos as perguntas que mais aparecem quando a área de compliance de uma instituição menor avalia por onde começar a modernizar PLD/FTP diante dos números da EY.

As respostas priorizam a sequência prática, dado externo antes de modelo proprietário, e a base regulatória que torna o dado externo uma exigência, não um luxo.

Toda recomendação aqui pressupõe finalidade legítima, base legal definida e conformidade com a LGPD no tratamento de qualquer dado de terceiro incorporado ao monitoramento.

A camada de dados que vem antes do modelo

O estudo da EY é claro sobre a direção. A IA em PLD/FTP avança no Brasil, mas de forma incipiente e concentrada nos grandes S1, enquanto mais de 76% das instituições S4 e S5 seguem sem nenhum modelo (EY Brasil, 2026). Para essas instituições, a alavanca de curto prazo não é o algoritmo proprietário. É qualificar o monitoramento que já existe.

É aí que a DataHub opera, como camada de dados externos autoritativos que dá contexto ao alerta, ao titular e ao beneficiário final antes de qualquer modelo. A forma principal de entrega é a API, integrada direto na esteira de risco da instituição, com SaaS e Projetos Especiais como complementos para casos que exigem painel ou customização.

Todo tratamento pressupõe finalidade legítima, base legal definida e conformidade com a LGPD. Compliance bom não nasce de mais modelo sobre dado pobre. Nasce de dado certo no momento certo da decisão. Quem tem dados, decide melhor.

Leia também no DataHub

Fontes

  1. EY Brasil — Uso de IA na prevenção a crimes financeiros é incipiente (Estudo de Maturidade PLD/FTP)
  2. EY Brasil — Bancos comerciais e IPs são as instituições que mais investem contra fraudes
  3. SEON — AI Reality Check: 2026 Fraud & AML Leaders Report (via Fintech News Singapore)
  4. EY Suécia — How AI is reshaping the future of transaction monitoring
  5. Banco Central / Editora Roncarati — Resolução BCB nº 518 de 03/11/2025
  6. Serasa Experian — Mapa da Fraude (via TI Inside)
  7. Febraban (via Finsiders Brasil) — Golpes com Pix e prejuízo ao setor bancário
  8. The Business Research Company / Research and Markets — AI in RegTech Market
Aviso editorial. Conteúdo de curadoria editorial independente da Brasil GEO, baseado em materiais públicos da Stone Co. e do mercado financeiro. Não substitui aconselhamento profissional contábil ou financeiro. Tarifas, taxas e condições de produtos Stone são atualizadas periodicamente — confira valores vigentes em conteudo.stone.com.br/.

Próximos passos