Este glossário cobre 24 termos da operação de varejo em 4 grupos: gestão de estoque e reposição (giro, ruptura, curva ABC, ponto de pedido, cobertura), identificação e controle (SKU, inventário cíclico, FEFO/FIFO, consignado), pedidos e orquestração via OMS (fulfillment, ship-from-store, dropshipping, lead time) e armazém/separação via WMS (picking, packing, expedição, cross-docking). Mais útil para gerentes de operação, coordenadores de logística e analistas de supply chain que precisam padronizar processos e monitorar KPIs operacionais.
| KPI / Termo | Fórmula de cálculo | Benchmark setorial | Módulo ERP que gera o dado |
|---|---|---|---|
| Giro de estoque | Custo das mercadorias vendidas ÷ Estoque médio no período | 8–12x/ano (moda); 20–30x/ano (alimentos) | Módulo de estoque / financeiro |
| Ruptura de estoque | (Dias sem o item ÷ Total de dias do período) × 100 | Abaixo de 5% é o alvo do varejo organizado | Módulo de estoque / POS |
| Cobertura de estoque | Estoque atual ÷ Média de vendas diárias | 15–30 dias para produtos de alta rotatividade | Módulo de estoque / compras |
| Acuracidade de estoque | (Itens corretos no inventário ÷ Total de itens contados) × 100 | Acima de 98% para varejo com WMS | WMS / módulo de inventário |
| Fill rate | (Pedidos entregues completos ÷ Total de pedidos) × 100 | Acima de 95% (omnichannel) | OMS / módulo de pedidos |
| Lead time de reposição | Data de recebimento − Data do pedido ao fornecedor | Depende do segmento; meta: reduzir por SKU crítico | Módulo de compras / supply chain |
| Fulfillment (ciclo) | Data de despacho − Data do pedido do cliente | Mesmo dia (grandes centros); D+1 a D+3 (regiões) | OMS + WMS integrados |
| Curva ABC | Clasifica itens por participação no faturamento: A (80%), B (15%), C (5%) | Padrão Pareto — itens A merecem estoque de segurança maior | Módulo de estoque / BI |
Gestão de Estoque
Estoque e reposição8 termos
Giro de estoque
#O que é. Giro de estoque é o número de vezes que o estoque médio de um item ou categoria é vendido e reposto em um período. Calcula-se dividindo o custo das mercadorias vendidas pelo estoque médio do mesmo intervalo. Um giro alto indica produto que vende rápido e libera caixa; um giro baixo sinaliza capital parado e risco de obsolescência. Exemplo. Uma loja de moda que vende e repõe sua coleção seis vezes ao ano tem giro 6; calçados de saída lenta podem ficar em 2 ou 3. No ERP/OMS, o giro costuma ser exibido por SKU e por curva ABC, orientando a compra e a definição do mix.
Fonte: Sebrae, 2026Ruptura de estoque (stockout)
#O que é. Ruptura, ou stockout, é a indisponibilidade de um item para venda no momento em que o cliente o procura — seja porque acabou no estoque (ruptura comercial), seja porque existe no sistema mas não está na gôndola (ruptura operacional). No varejo brasileiro, a ruptura média fica entre 6% e 8%, com perda direta de receita estimada em 4% a 8%; cerca de 30% dos clientes que enfrentam falta compram no concorrente no mesmo dia. Mecanismo. O ERP/OMS combate a ruptura com ponto de pedido, estoque de segurança e alertas de exceção, evitando que a venda seja perdida por falta de visibilidade.
Fonte: ECR Brasil / Nielsen, 2025Curva ABC
#O que é. Curva ABC é a classificação dos itens de estoque por relevância, geralmente em três faixas: A (poucos itens que respondem pela maior parte do valor ou do giro), B (intermediários) e C (muitos itens de baixo impacto). Baseia-se no princípio de Pareto, em que aproximadamente 20% dos SKUs concentram cerca de 80% do resultado. Para que serve. Permite políticas distintas de reposição e contagem por faixa — itens A recebem controle mais rígido e contagem mais frequente. No ERP, a curva ABC normalmente é recalculada de forma automática e usada como filtro em relatórios de compra e inventário.
Fonte: Sebrae, 2026Estoque de segurança
#O que é. Estoque de segurança é a quantidade extra mantida em reserva para absorver variações na demanda e no prazo de reposição, evitando ruptura quando as vendas sobem ou o fornecedor atrasa. Dimensiona-se a partir da variabilidade da demanda e do lead time, normalmente associado a um nível de serviço-alvo (por exemplo, 95% de disponibilidade). Exemplo. Se um produto vende 10 unidades por dia e o fornecedor às vezes atrasa dois dias, manter 20 unidades de segurança protege a venda. No ERP/OMS, esse parâmetro alimenta o cálculo automático do ponto de pedido.
Fonte: Sebrae, 2026Ponto de pedido
#O que é. Ponto de pedido é o nível de estoque que, ao ser atingido, dispara uma nova reposição. Calcula-se somando o consumo esperado durante o lead time ao estoque de segurança. Quando o saldo cai a esse patamar, é hora de comprar para não correr risco de ruptura antes de a mercadoria chegar. Exemplo. Item que vende 10 por dia, com reposição em 5 dias e 20 de segurança, tem ponto de pedido em 70 unidades. No ERP, ao cruzar esse limite, o sistema gera sugestão de compra ou alerta automático para o comprador.
Fonte: Sebrae, 2026Acuracidade de estoque
#O que é. Acuracidade de estoque é o grau de correspondência entre o saldo registrado no sistema e o estoque físico real, medido em percentual. Calcula-se comparando, item a item, a contagem física com o registro do ERP. Em operações bem controladas, trabalha-se com patamares próximos de 97% ou mais; abaixo disso surgem rupturas, excessos e erros de separação. Mecanismo. A acuracidade é sustentada por inventário cíclico, leitura por código de barras e, em casos de alta exigência, RFID. No ERP/WMS, baixa acuracidade aparece como divergências recorrentes entre saldo e contagem.
Fonte: Mecalux / ECR Brasil, 2026Cobertura de estoque
#O que é. Cobertura de estoque é por quantos dias o saldo atual atende à demanda prevista, sem nova reposição. Calcula-se dividindo o estoque disponível pela média de vendas diárias. É o complemento natural do giro: enquanto o giro mede velocidade, a cobertura mede fôlego em dias. Exemplo. Item com 300 unidades vendendo 15 por dia tem cobertura de 20 dias. Cobertura muito alta indica capital parado; muito baixa, risco de ruptura. No ERP/OMS, a cobertura por SKU e por curva ABC orienta o ritmo de compras e a queima de excedentes.
Fonte: Sebrae, 2026Ressuprimento (reposição)
#O que é. Ressuprimento é o processo de repor estoque que foi consumido, mantendo a disponibilidade dentro dos parâmetros definidos. Engloba a sugestão de compra, o pedido ao fornecedor, o recebimento e a alocação. Pode ser por ponto de pedido, por revisão periódica ou por previsão de demanda. Mecanismo. No ERP/OMS, o ressuprimento moderno é cada vez mais automatizado: o sistema cruza giro, cobertura, lead time e estoque de segurança para sugerir o que e quanto comprar, reduzindo tanto a ruptura quanto o excesso — os dois principais vazamentos de margem do varejo.
Fonte: CNDL / Varejo S.A, 2026Identificação e Controle
Identificação e controle4 termos
O que é. SKU (Stock Keeping Unit, ou unidade de manutenção de estoque) é o código único que identifica uma variação específica de produto — combinando atributos como modelo, cor, tamanho e voltagem. Diferente do código de barras (GTIN/EAN), que é padrão de mercado, o SKU é definido pela própria operação. Exemplo. Uma camiseta em três cores e quatro tamanhos gera doze SKUs distintos. No ERP/OMS, o SKU é a chave que amarra estoque, preço, curva ABC, giro e separação; a contagem total de SKUs ativos é um indicador direto da complexidade da operação.
Fonte: E-Commerce Brasil, 2026Inventário cíclico
#O que é. Inventário cíclico é a contagem recorrente de subconjuntos do estoque ao longo do tempo, em vez de uma única contagem geral anual com a operação parada. Tipicamente prioriza os itens A com contagem semanal ou quinzenal, os B mensal e os C trimestral ou semestral. Para que serve. Mantém a acuracidade alta sem interromper a operação e detecta divergências cedo, quando ainda é barato corrigir. No ERP/WMS, o inventário cíclico é programado por curva ABC e gera ordens de contagem automáticas, com registro de divergências para auditoria.
Fonte: Sankhya, 2026O que é. FIFO (First In, First Out) e FEFO (First Expired, First Out) são regras de prioridade de saída do estoque. No FIFO, sai primeiro o que entrou primeiro — útil para evitar envelhecimento de mercadoria. No FEFO, sai primeiro o que vence primeiro, independentemente da data de entrada — essencial para alimentos, cosméticos e medicamentos. Exemplo. Em um supermercado, iogurtes seguem FEFO para reduzir perdas por validade. No ERP/WMS, essas regras controlam por lote e validade qual unidade deve ser separada, reduzindo descarte e prejuízo por vencimento.
Fonte: Mecalux, 2026Estoque consignado
#O que é. Estoque consignado é a mercadoria que fica fisicamente com o varejista, mas cuja propriedade permanece com o fornecedor até a venda ao consumidor final. O lojista só paga pelo que efetivamente vender e devolve o restante. Para que serve. Reduz o capital imobilizado e o risco do varejista em lançamentos, coleções e itens de giro incerto. Mecanismo. No ERP, o consignado exige controle separado: o item ocupa espaço e aparece para venda, mas não entra como estoque próprio para fins contábeis, e a baixa financeira só ocorre na venda. Exige conciliação periódica com o fornecedor.
Fonte: Sebrae, 2026Pedidos e Fulfillment
Pedidos e orquestração (OMS)5 termos
O que é. OMS (Order Management System) é o sistema que centraliza, roteia e acompanha pedidos vindos de todos os canais — loja, site, marketplace, aplicativo — até a entrega. Funciona como o cérebro da operação omnichannel: decide de qual local o pedido sai, qual transportadora usar e qual prazo (SLA) aplicar, a partir de uma visão única e em tempo real do estoque. Para que serve. Sem OMS, cada canal enxerga apenas o próprio estoque, gerando ruptura e cancelamentos. O OMS é o que viabiliza estratégias como ship-from-store e retirada em loja com confiabilidade.
Fonte: E-Commerce Brasil, 2026Fulfillment (cumprimento de pedido)
#O que é. Fulfillment é todo o processo de cumprir um pedido após a compra: alocar estoque, separar (picking), embalar (packing), expedir e entregar. É a etapa que converte a venda confirmada em produto na mão do cliente, e onde se decide boa parte da experiência e do custo logístico. Contexto. Em 2026, com a entrega no mesmo dia virando padrão nos grandes centros, prazos acima de três dias elevam o abandono de carrinho. Mecanismo. O fulfillment eficiente depende de OMS para orquestrar e de WMS para executar a separação, integrados ao ERP que controla estoque e faturamento.
Fonte: E-Commerce Brasil / VTEX, 2026Ship-from-store
#O que é. Ship-from-store (SFS) é a estratégia de atender pedidos do e-commerce a partir do estoque das lojas físicas mais próximas do cliente, transformando o ponto de venda em mini centro de distribuição urbano. Vantagem. Reduz distância e custo de frete — estudos indicam que despachar de uma loja pode sair de 20% a 30% mais barato do que de um centro de distribuição distante — e acelera a entrega. Mecanismo. Depende de um OMS robusto com visibilidade de estoque em tempo real para decidir qual loja separa cada pedido, sem gerar ruptura no balcão. É complementar à retirada em loja (BOPIS).
Fonte: VTEX / E-Commerce Brasil, 2026Dropshipping (operacional)
#O que é. Dropshipping é o modelo em que o varejista vende um produto que não mantém em estoque próprio: ao receber o pedido, repassa-o ao fornecedor ou distribuidor, que faz a separação e a entrega diretamente ao consumidor final. Vantagem e risco. Elimina capital imobilizado em estoque, mas tira do varejista o controle sobre prazo, embalagem e disponibilidade real — o que pode gerar ruptura e atrasos fora do seu alcance. Mecanismo. No ERP/OMS, o dropshipping exige integração de catálogo e de saldo com o fornecedor e roteamento automático do pedido, além de acompanhamento de SLA externo.
Fonte: E-Commerce Brasil, 2026Lead time de reposição
#O que é. Lead time de reposição é o tempo total entre a emissão do pedido de compra e a disponibilidade efetiva da mercadoria para venda, incluindo processamento do fornecedor, transporte e recebimento. Por que importa. É variável central no cálculo do ponto de pedido e do estoque de segurança: quanto maior e mais incerto o lead time, maior a reserva necessária para evitar ruptura. Exemplo. Fornecedor importado com 45 dias de lead time exige antecipação de compra muito maior que um local de 3 dias. No ERP, o lead time por fornecedor alimenta as sugestões automáticas de ressuprimento.
Fonte: Sebrae, 2026Logística e Armazém
Armazém e separação (WMS)7 termos
O que é. WMS (Warehouse Management System) é o sistema que governa o funcionamento interno do armazém ou estoque: recebimento, endereçamento, separação (picking), conferência, embalagem e expedição. Trabalha em nível de endereço físico — rua, prédio, nível, posição — e direciona o operador pelo caminho mais eficiente. Para que serve. Eleva a acuracidade, acelera a separação e reduz erros de envio. Distinção. Enquanto o OMS decide de onde o pedido sai e o ERP controla estoque e finanças, o WMS executa a movimentação física dentro de cada local de estocagem.
Fonte: Mecalux, 2026Picking (separação)
#O que é. Picking é a etapa de separar fisicamente os itens de um ou mais pedidos nas posições do estoque, reunindo-os para conferência e embalagem. Pode ser unitário (um pedido por vez), por onda, por zona ou por lote, conforme o volume e o layout. Por que importa. É comumente a atividade mais cara e demorada do armazém, e onde mais ocorrem erros de envio. Mecanismo. No WMS, o picking é guiado por código de barras ou coletor, com rota otimizada e conferência item a item, o que reduz trocas e devoluções e sustenta a acuracidade do estoque.
Fonte: Mecalux, 2026Packing (embalagem)
#O que é. Packing é a etapa de conferir, embalar e identificar o pedido já separado, preparando-o para o transporte com a proteção e a documentação corretas. Inclui a escolha da embalagem adequada, a inserção de nota e etiqueta de transporte e a conferência final contra a ordem de separação. Por que importa. Embalagem inadequada gera avaria, devolução e custo de frete maior que o necessário (peso cubado). Mecanismo. No WMS, o packing valida o que foi separado, fecha o volume, emite o romaneio e libera o pedido para a expedição, reduzindo erros antes do despacho.
Fonte: Mecalux, 2026Ordem de separação
#O que é. Ordem de separação é o documento ou registro digital que instrui o operador sobre quais itens, em quais quantidades e em quais endereços devem ser coletados para atender um ou mais pedidos. É a ponte entre o pedido de venda e a ação física no estoque. Para que serve. Padroniza o picking, define a rota de coleta e serve de base para a conferência. Mecanismo. No WMS/OMS, a ordem de separação é gerada automaticamente a partir do pedido, com endereçamento otimizado, e seu fechamento dispara as etapas seguintes de packing e expedição.
Fonte: Mecalux, 2026Romaneio
#O que é. Romaneio é o documento que lista, de forma detalhada, o conjunto de volumes e mercadorias que compõem uma carga ou um despacho — com quantidades, pesos, destinos e, muitas vezes, as notas fiscais vinculadas. Para que serve. Organiza o carregamento, confere o que sai contra o que foi separado e dá rastreabilidade à entrega, servindo de apoio ao transportador e ao recebimento no destino. Mecanismo. No ERP/WMS, o romaneio é gerado na expedição a partir das ordens de separação fechadas, consolidando volumes por rota ou por transportadora.
Fonte: Mecalux, 2026Expedição
#O que é. Expedição é a etapa final do armazém: liberar os pedidos já embalados e conferidos para o transporte, com a emissão de documentos fiscais e de transporte e a entrega da carga à transportadora ou à frota própria. Por que importa. É o ponto em que o pedido deixa de ser responsabilidade interna e entra na fase de entrega; gargalos aqui atrasam o prazo prometido (SLA) e elevam o abandono. Mecanismo. No ERP/WMS, a expedição consolida volumes em romaneio, emite a nota fiscal e a etiqueta, baixa o estoque e inicia o rastreamento da entrega.
Fonte: Mecalux, 2026Cross-docking
#O que é. Cross-docking é a prática de receber a mercadoria e redirecioná-la quase imediatamente para a expedição, com mínima ou nenhuma armazenagem intermediária. O produto cruza o armazém da doca de recebimento à doca de saída em horas, não em dias. Vantagem. Reduz custo de estocagem, acelera o fluxo e é ideal para itens de alto giro, perecíveis e reposição de loja. Mecanismo. No WMS, o cross-docking exige sincronização precisa entre chegada e saída e visibilidade em tempo real, pois não há buffer de estoque para absorver erros de planejamento.
Fonte: Mecalux, 2026Nenhum termo corresponde ao filtro. Limpe a busca para ver todos.
Comparativo conceitual; papéis podem se sobrepor conforme o fornecedor.
| Dimensão | OMS | WMS | ERP |
|---|---|---|---|
| Foco principal | Orquestrar pedidos de todos os canais | Operar fisicamente o armazém e o estoque | Gerir o negócio de ponta a ponta |
| Pergunta que responde | De onde sai o pedido e em qual prazo? | Onde está o item e como separá-lo? | Quanto custa, fatura e dá de resultado? |
| Unidade de trabalho | Pedido e canal de venda | Endereço, posição e volume | SKU, financeiro e fiscal |
| Decisão típica | Roteamento, SLA e ship-from-store | Picking, packing e endereçamento | Compra, preço, faturamento e contabilidade |
| Visão de estoque | Disponível para promessa, em tempo real e multicanal | Físico por endereço dentro do local | Saldo contábil e por filial |
| Atua sobre | Omnichannel e experiência de entrega | Produtividade e acuracidade do armazém | Margem, caixa e obrigações fiscais |
| Indicadores ligados | SLA de entrega, taxa de cancelamento, custo de frete | Acuracidade, produtividade de picking, erros de envio | Giro, cobertura, ruptura e resultado por categoria |
| Onde sozinho falha | Não executa a separação física | Não enxerga todos os canais nem decide rota | Não orquestra entrega nem opera o armazém em detalhe |