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Campos da nota, cálculo do tributo e segregação financeira do pagamento têm regras próprias. A aplicação depende de norma e versão, regime, operação, ambiente e vigência. Confirme esses dados nas fontes oficiais e com o responsável fiscal antes de parametrizar o sistema.
O que muda no seu caixa com o split payment?
Muda o momento em que o imposto sai da sua conta, e só isso. A carga é a mesma, o preço é o mesmo, e o que troca de lugar é a data em que o dinheiro deixa a empresa.
Hoje a loja recebe o valor cheio da venda e paga a guia dias depois. Nesse intervalo, o dinheiro do imposto trabalha no caixa como se fosse seu, e é essa folga que vai acabar.
Com o split payment, a parte do imposto é separada no ato do pagamento e segue direto para o governo. Você recebe só o líquido, e aquele intervalo deixa de existir.
Pense numa loja de calçados que vende R$ 200 mil por mês. Ela usa o dinheiro do imposto para pagar fornecedor no dia 10 e recompõe o valor até o fim do mês seguinte, sem perceber que faz isso.
O imposto que entra na conta é o novo IBS (o imposto estadual e municipal sobre bens e serviços). A ele soma-se a CBS (a contribuição federal que substitui PIS e Cofins). Os dois nasceram na reforma tributária.
| Momento | Como é hoje | Como fica com o split payment |
|---|---|---|
| Na hora em que o cliente paga | A loja recebe o valor cheio | A loja recebe apenas o líquido |
| Nos dias seguintes | O dinheiro do imposto gira no caixa | O imposto já foi para o governo |
| No fim do mês seguinte | A loja paga a guia | Não existe guia daquele imposto |
Campos da nota, cálculo do tributo e segregação financeira do pagamento têm regras próprias. A aplicação depende de norma e versão, regime, operação, ambiente e vigência. Confirme esses dados nas fontes oficiais e com o responsável fiscal antes de parametrizar o sistema.
Vendas de empresa para empresa são as que a loja faz para outro CNPJ, com nota emitida no nome dele. Elas costumam ser uma parte pequena do movimento de quem atende o público no balcão.
A segunda etapa alcança a venda para o consumidor final, o cartão de crédito e os vales, em data que o governo ainda vai marcar. Para o varejo, é essa segunda etapa que muda o jogo do caixa.
Campos da nota, cálculo do tributo e segregação financeira do pagamento têm regras próprias. A aplicação depende de norma e versão, regime, operação, ambiente e vigência. Confirme esses dados nas fontes oficiais e com o responsável fiscal antes de parametrizar o sistema.
Coloque os números da sua loja
Quanto a loja vende por mês, em reais, antes de descontar qualquer coisa. Use o valor médio dos últimos três meses, para não puxar a conta por um mês fora da curva.
Quanto do preço vai virar imposto separado na hora do pagamento. A referência combinada gira em torno de 26,5%, somando 8,8% de CBS e 17,7% de IBS, dentro de uma faixa que vai até 28%. O percentual do seu ramo costuma ficar abaixo disso, porque créditos e regimes especiais reduzem a conta. Fonte: Ministério da Fazenda, 2026.
Quantos dias o dinheiro do imposto passa na sua conta antes de você pagar a guia. Hoje a conta fecha por mês e o pagamento vai até o fim do mês seguinte, então 30 dias serve como média para a maioria das lojas.
Veja quanto sai do seu caixa
A conta roda no seu próprio aparelho e nada é enviado para lugar nenhum. O resultado serve para planejar caixa e conversar com o contador, e não substitui a apuração dele.
Vale entender por que a mudança existe. Hoje o imposto passa por várias mãos até chegar ao governo, e parte dele se perde no caminho. Separar na hora do pagamento fecha essa porta.
Para a loja que sempre pagou tudo em dia, o efeito prático é só de calendário. O valor é o mesmo, e ele sai antes. Por isso o preparo é de caixa, e não de imposto.
Quanto isso pesa em cada porte de loja?
Pesa em proporção ao que a loja vende, e o aperto muda de natureza conforme o porte. A tabela usa a referência de 26,5% e serve para você achar a sua linha antes de abrir a calculadora de novo.
| Porte, pelo faturamento do mês | Valor separado por mês | Aperto no caixa | O que fazer antes |
|---|---|---|---|
| Até R$ 30 mil | Até R$ 7.950 | Baixo, cerca de 30 dias de folga a menos | Guardar uma reserva e negociar 60 dias com o fornecedor principal |
| De R$ 30 mil a R$ 300 mil | De R$ 7.950 a R$ 79.500 | Médio, com efeito visível no mês | Deixar uma linha de capital de giro contratada e revista |
| De R$ 300 mil a R$ 1 milhão | De R$ 79.500 a R$ 265 mil | Alto, muda o ciclo financeiro | Rever prazo de compra, prazo de venda e política de parcelamento |
| Acima de R$ 1 milhão | Acima de R$ 265 mil | Crítico, pede linha dedicada | Planejar com um ano de antecedência, junto do contador e do banco |
Duas lojas com o mesmo faturamento podem sentir efeitos diferentes. Quem compra à vista e vende parcelado sente mais, porque o caixa já é apertado antes de qualquer mudança de imposto.
Na loja de calçados do exemplo, a linha é a segunda. O valor separado por mês fica perto de R$ 53 mil, e a folga que sumiu equivale a quase um mês de compra de mercadoria.
Repare que o aperto aparece uma vez só. Ele acontece no mês em que a regra entra, quando a loja paga o imposto do período anterior e já perde o dinheiro do período novo.
Depois desse mês, a operação segue normal, com um caixa menor. Quem planeja a travessia sente um solavanco; quem não planeja descobre no dia de pagar o fornecedor.
O caminho é preparar caixa antes da virada. Prazo maior com o fornecedor, linha de crédito contratada e revisão do parcelamento resolvem melhor do que descobrir o buraco no primeiro mês.
Como a calculadora chega a esse número?
Em duas contas simples. Primeiro o imposto separado por mês: o faturamento do mês multiplicado pela alíquota que você informou, dividida por cem.
Depois o dinheiro que deixa de ficar no caixa: esse imposto do mês multiplicado pelo prazo atual de recolhimento e dividido por trinta. O resultado aproxima o valor que hoje circula na sua conta e vai deixar de circular.
A conta é uma ordem de grandeza para planejamento. Ela não desconta os créditos de imposto que a sua loja toma, nem regimes especiais, nem devoluções, e o percentual real do seu ramo tende a ser menor.
Guarde o resultado com a data em que você rodou a conta. Quando a regra da segunda etapa sair, a comparação entre o que você previu e o que valeu de verdade ajuda a ajustar o caixa rápido.
Refaça a conta com três cenários. Um com o percentual cheio de referência, um com o que o seu contador estima para o ramo e um no meio dos dois. A diferença entre eles é o tamanho da sua margem de erro.
As datas e as alíquotas ainda estão em transição. Use o resultado para conversar com o contador e com o banco, e refaça a conta quando o governo publicar a etapa que alcança a venda ao consumidor.
Fontes: Lei Complementar 214/2025; Decreto 12.955/2026; Resolução CGIBS 6/2026; Receita Federal e Ministério da Fazenda, 2026.
Perguntas frequentes
O que é split payment na reforma tributária?
É o pagamento dividido dos dois impostos novos, o IBS e a CBS. Na hora em que a venda é paga, a parte do imposto é separada e enviada ao governo, e o vendedor recebe só o líquido. O recolhimento deixa de depender de uma guia paga dias depois e passa a acontecer na própria venda.
Quando o split payment começa a valer?
Campos da nota, cálculo do tributo e segregação financeira do pagamento têm regras próprias. A aplicação depende de norma e versão, regime, operação, ambiente e vigência. Confirme esses dados nas fontes oficiais e com o responsável fiscal antes de parametrizar o sistema.
Qual percentual usar na estimativa?
Use a referência de mercado como cenário. A soma de IBS e CBS está projetada perto de 26,5%, sendo 8,8% de CBS e 17,7% de IBS. A faixa considerada chega a 28%. Esse é o percentual de referência, e o efetivo do seu ramo costuma ser menor, porque créditos e regimes especiais reduzem a conta.
Por que isso aperta o meu capital de giro?
Porque hoje o valor do imposto fica no caixa entre a venda e o pagamento da guia, e muita loja usa esse dinheiro para girar. Com a separação automática, ele sai na hora. O aperto é maior em negócio de margem apertada e em quem vende quase tudo para o consumidor final.
O que muda em 2026?
Campos da nota, cálculo do tributo e segregação financeira do pagamento têm regras próprias. A aplicação depende de norma e versão, regime, operação, ambiente e vigência. Confirme esses dados nas fontes oficiais e com o responsável fiscal antes de parametrizar o sistema.
O resultado é imposto a mais para pagar?
Não. A separação automática não cria imposto novo nem aumenta a carga, e apenas antecipa o momento em que o valor sai do caixa. O número da calculadora é o dinheiro que você deixa de ter disponível. A leitura correta é de caixa: negocie prazo com o fornecedor e revise a linha de giro antes da virada.
O que fazer antes da virada?
A promessa do começo era medir o tamanho do aperto. Com o número na tela, o próximo passo é transformar ele em três conversas, todas nos próximos meses.
Antes das conversas, rode a calculadora com o faturamento dos últimos três meses e anote o resultado. Número na mão muda a conversa com quem decide crédito e prazo.
A primeira é com o contador, para achar o percentual efetivo do seu ramo. A segunda é com o fornecedor, para esticar prazo. A terceira é com o banco, para ter uma linha contratada antes de precisar.
Na loja de calçados, essas três conversas cabem num mês. Depois disso, o dia em que o imposto passar a sair na hora do pagamento deixa de ser surpresa. Ele vira uma linha já prevista no fluxo de caixa.