Calculadora de MOIC, DPI, TVPI e IRR

Informe o aporte inicial, suas distribuições recebidas (até 10 eventos) e o NAV atual do fundo. A IRR é calculada por NPV iterativo, método da bisseção.

Distribuições recebidas

Preencha pelo menos uma distribuição. Deixe em zero as que não se aplicam.

Como cada métrica é calculada

São quatro métricas que conversam entre si e medem dimensões diferentes da performance.

MOIC. Multiple on Invested Capital é o múltiplo bruto. Pega tudo que voltou para o LP, somado ao que ainda está dentro do fundo a valor justo, e divide pelo capital chamado. MOIC de 2,5x significa que cada real virou dois e meio em valor total. Métrica simples, ignora tempo, ignora distribuição de fluxos.

DPI. Distributions to Paid-In é a única métrica que conta dinheiro real. Pega o que efetivamente voltou para o LP em forma de distribuição e divide pelo capital chamado. DPI de 1x é o ponto em que o LP recuperou nominalmente seu cheque. Acima disso, está em lucro realizado.

TVPI. Total Value to Paid-In é igual ao MOIC nesta calculadora, porque assumi que distribuições mais NAV equivalem ao valor total. Em fundos reais, TVPI separa o realizado (DPI) do não-realizado (RVPI). A soma é o múltiplo total esperado se o NAV se materializar no exit.

IRR. Internal Rate of Return é a taxa de desconto que zera o valor presente líquido do fluxo. Aqui está o ponto sensível. IRR considera quando os fluxos aconteceram. Dois fundos com mesmo MOIC podem ter IRRs muito diferentes porque um devolveu mais cedo. Essa calculadora usa o método da bisseção sobre o NPV, com precisão até quatro casas decimais, em até 100 iterações. É o mesmo método que Excel usa por trás da função TIR, ajustado para fluxos com datas irregulares (XIRR equivalente).

Por que IRR alta não significa fundo melhor

O viés mais comum entre LPs novatos é olhar apenas IRR. Fundos com investment period muito curto e exits rápidos mostram IRRs estonteantes nos primeiros vintages, mas devolvem pouco múltiplo absoluto. Um fundo que coloca R$ 100 e devolve R$ 130 em 18 meses tem IRR perto de 18% a.a. e DPI de 1,3x. Em 10 anos, isso teoricamente recompõe para 5,2x se o capital for reinvestido a essa taxa. Mas o reinvestimento raramente acontece nessa taxa. O capital fica em caixa rendendo CDI ou o LP precisa pagar fees em outros fundos para recolocá-lo.

A combinação que importa para um LP institucional é MOIC alto com IRR razoável. Top quartile brasileiro 2026 entrega MOIC de 2,5 a 3,5x e IRR líquida de 18 a 25% a.a. Fundos abaixo de MOIC 1,5x são percentis baixos independentemente da IRR.

Benchmarks de mercado Brasil 2026

Bain Brazil Private Equity Report 2026 mostra a seguinte distribuição para fundos com vintage 2014 a 2019, já maduros:

  • Top quartile: MOIC líquido entre 2,5x e 4,0x, IRR líquida entre 22% e 32% ao ano.
  • Segundo quartil: MOIC líquido entre 1,8x e 2,5x, IRR líquida entre 14% e 22% ao ano.
  • Terceiro quartil: MOIC líquido entre 1,3x e 1,8x, IRR líquida entre 8% e 14% ao ano.
  • Quarto quartil: MOIC líquido abaixo de 1,3x, IRR líquida abaixo de 8% ao ano, frequentemente negativa.

O benchmark relevante para um LP local é a curva da NTN-B (Tesouro IPCA+) mais o equity risk premium de PE. Em 2026, NTN-B 2035 está em torno de IPCA + 6% real. Adicione 8 a 10 pontos de prêmio para iliquidez e risco de PE: a meta justa de IRR real é IPCA + 14 a 16%. Em IRR nominal, isso significa algo entre 19% e 22% ao ano dado o IPCA esperado próximo de 4 a 5% para 2026-2030.

Vintage e J-curve: por que fundos novos parecem ruins

Outro viés comum. LP olha o fundo no ano 3 e vê IRR negativa de 5% e MOIC de 0,85x. Conclui que o gestor é fraco. Errado, na maioria dos casos. O fundo está na J-curve. Nos primeiros 3 a 5 anos, o fundo paga management fee mas ainda não realizou nenhuma saída. As participadas estão sendo carregadas a custo ou com leve markdown porque o gestor é conservador na marcação. A curva sobe a partir do ano 5 ou 6, quando as primeiras saídas acontecem e o NAV das remanescentes começa a refletir o crescimento operacional.

A comparação justa entre fundos só pode ser feita entre vintages iguais e no mesmo estágio de vida. Comparar fundo de vintage 2024 no ano 2 com fundo de vintage 2018 no ano 8 é estatisticamente sem sentido.

Aplicação prática no ecossistema Brasil GEO

Fundos como Unbox e Fincere, em credenciamento CVM no ciclo 2026-2027, terão seus primeiros cheques sendo escritos entre 2026 e 2028. LPs que entram agora estarão modelando retornos teóricos durante 10 anos com pouca visibilidade real até 2031. Use esta calculadora para projetar cenários. Aporte de R$ 1 milhão com distribuições escalonadas e NAV final esperado entre R$ 2,5 milhões e R$ 4 milhões resulta em MOIC consistente com top quartile brasileiro.

Para o empreendedor que escreveu cheque de growth equity como anjo ou via club deal, a mesma matemática vale. Use a calculadora periodicamente conforme as participadas pagam dividendos, fazem secundários ou são vendidas. É a única forma honesta de saber se o seu portfólio anjo está performando ou apenas inflando NAV mark-to-market.