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Glossário de Investimentos Alternativos

60 termos essenciais de Private Equity, Venture Capital, Wealth Management e regulatório brasileiro (CVM, ANBIMA). Linguagem direta, sem jargão desnecessário.

Fundos e Veículos

FIP — Fundo de Investimento em Participações
Veículo regulado pela CVM 175 que investe em ações, debêntures conversíveis ou outros títulos de empresas fechadas; isento de IRPJ/CSLL no fundo; tributação ocorre na saída do cotista.
FIM — Fundo de Investimento Multimercado
Fundo que combina renda fixa, renda variável, câmbio e derivativos sem restrição de classe; oferece flexibilidade máxima ao gestor e sofre come-cotas semestral.
FIDC — Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Fundo lastreado em recebíveis (duplicatas, CCBs, contratos); mínimo 50% em direitos creditórios; regulado pela CVM 175 e CMN 2.907; yield ligado ao risco de crédito do cedente.
FIA — Fundo de Investimento em Ações
Fundo com mínimo 67% em ações listadas em bolsa; alíquota de IR 15% na saída independente do prazo (não sofre tabela regressiva); come-cotas não se aplica.
FoF — Fund of Funds
Fundo que investe em cotas de outros fundos em vez de ativos diretamente; diversifica gestores e estratégias; pode ter dupla camada de taxas (fundo investidor + fundo investido).
FIDC Multicedente
Modalidade de FIDC que aceita recebíveis de múltiplos cedentes (geralmente PMEs); dilui risco de concentração; popular em plataformas de antecipação de recebíveis e fintechs de crédito.
FIAGRO — Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais
Criado pela Lei 14.130/2021; investe em ativos do agronegócio (CRA, CPR, imóveis rurais, ações de empresas agrícolas); isenção de IR para pessoa física cotista.
FIP-IE — FIP em Infraestrutura e Incentivados
Subclasse de FIP voltada a projetos de infraestrutura (energia, saneamento, logística); cotista PF isento de IR sobre rendimentos; gestor sujeito a restrições de diversificação setorial.
FIP Multiestratégia
Subclasse de FIP que combina investimentos em diferentes estágios (seed, growth, buyout) e setores; maior flexibilidade de portfólio; mais comum em gestoras com múltiplas teses.
Continuation Vehicle
Veículo criado pelo GP para transferir ativos maduros de um fundo ao fim da vida útil, permitindo que LPs que quiserem saiam e novos LPs entrem; evita venda forçada de ativos de alta qualidade.

Métricas PE

MOIC — Multiple on Invested Capital
Relação entre o valor total retornado (realizados + não-realizados) e o capital investido; MOIC 2.5x significa que cada R$ 1 investido gerou R$ 2,50 de retorno bruto.
DPI — Distributions to Paid-In
Capital efetivamente distribuído aos LPs dividido pelo capital chamado; DPI maior que 1x significa que o fundo devolveu mais do que recebeu; único múltiplo em dinheiro real.
TVPI — Total Value to Paid-In
DPI mais RVPI; representa o retorno total (realizado e não-realizado) sobre o capital chamado; métrica de performance mais ampla, mas inclui ativos ainda a valor de mercado estimado.
RVPI — Residual Value to Paid-In
Valor de mercado dos ativos não-liquidados dividido pelo capital pago; complemento do DPI; alto RVPI em fundo maduro sinaliza dificuldade de saída ou ativos de longo prazo.
IRR — Internal Rate of Return
Taxa de desconto que iguala o valor presente dos fluxos de entrada ao capital investido; considera timing dos aportes e distribuições; métrica de referência para comparação com custo de capital do LP.
J-curve
Padrão típico de retorno em fundos de PE: nos primeiros 3-5 anos o fundo registra retorno negativo (custos + ativos a custo sem valorização) e depois curva sobe à medida que os investimentos amadurecem.
Vintage
Ano do primeiro aporte do fundo; usado para comparar fundos de mesma geração (mesmo contexto macroeconômico) e avaliar se o GP entregou alpha acima do benchmarking de vintage.
Valor patrimonial líquido do fundo em determinada data; para fundos fechados, é calculado pelo administrador com base em avaliações periódicas das participações; serve de base para cotas secundárias.
Capital Committed
Total de capital que os LPs se comprometeram a aportar no fundo; diferente do capital chamado (já integralizado); o comprometimento é juridicamente vinculante pelo LPA.
Capital Called
Parcela do capital comprometido efetivamente requisitada pelo GP; chamada de capital ocorre conforme oportunidades de investimento são identificadas; LPs devem integralizar no prazo definido no LPA.

GP/LP Structure

GP — General Partner
Gestor do fundo; responsável pelas decisões de investimento, gestão das participadas e desinvestimento; tem responsabilidade ilimitada em estruturas de limited partnership (LP nos EUA).
LP — Limited Partner
Investidor do fundo; responsabilidade limitada ao capital comprometido; não participa das decisões de investimento; direitos e obrigações definidos no LPA.
LPA — Limited Partnership Agreement
Contrato principal entre GP e LPs; define direitos de voto, taxa, carry, condições de saída do GP, transferência de cotas, eventos de key-person e mecanismos de resolução de conflito.
LPAC — LP Advisory Committee
Comitê consultivo formado pelos maiores LPs; aprova conflitos de interesse do GP, avaliações de ativos não-líquidos e extensões de prazo do fundo; não tem poder de veto em investimentos ordinários.
GP Commitment
Capital próprio do GP investido no fundo junto aos LPs; padrão de mercado entre 1% e 3% do fundo; alinha incentivos; GP que não coinveste é sinal de governança fraca.
Hurdle Rate
Taxa mínima de retorno que o fundo deve entregar aos LPs antes do GP receber carried interest; geralmente 8% ao ano; também chamado de preferred return.
Catch-up
Mecanismo pelo qual o GP recebe 100% das distribuições após o hurdle ser pago, até equilibrar sua participação no carry; funciona como acelerador do carried interest após o preferred return ser atingido.
Carry — Carried Interest
Participação do GP nos lucros do fundo acima do hurdle; geralmente 20% dos ganhos; principal incentivo do GP e fator diferenciador entre gestoras de alta e baixa performance.
High Watermark
Nível mínimo de NAV que o fundo deve atingir antes de cobrar taxa de performance; protege LPs de pagar performance em recuperação de perdas anteriores; padrão em FIMs e fundos hedge.
Management Fee
Taxa de administração anual cobrada pelo GP sobre o capital comprometido (durante investment period) ou sobre o capital investido (após); padrão de 2% ao ano; cobre custos operacionais da gestora.

Cap Table e VC

Cap Table — Tabela de Capitalização
Documento que registra todos os detentores de participação em uma empresa (fundadores, investidores, ESOP) e seus percentuais; atualizado a cada rodada de investimento ou emissão de opções.
ESOP — Employee Stock Option Plan
Plano de opções de compra de ações para funcionários; alinha incentivos da equipe com crescimento da empresa; pool típico de 10-20% do cap table; opcoes vestem ao longo de 3-4 anos com cliff de 1 ano.
Series Seed/A/B/C
Nomenclatura das rodadas de investimento em startups: Seed (validação de produto), Série A (product-market fit), Série B (escala comercial), Série C (expansão/internacionalização); cada rodada dilui fundadores.
Pre-money Valuation
Valor da empresa antes de receber o novo aporte; a divisão do valor investido pelo pre-money determina o percentual que o investidor receberá; negociado entre GP e empreendedor.
Post-money Valuation
Valor da empresa depois de receber o novo aporte; igual ao pre-money mais o valor investido; base para calcular participação de cada sócio após a rodada.
Liquidation Preference
Direito do investidor de receber seu capital de volta (ou múltiplo dele) antes dos fundadores em caso de venda ou liquidação; 1x non-participating é o padrão; participating preference é mais agressivo.
Anti-dilution — Full-ratchet e Weighted-average
Proteção ao investidor em rodadas down (valuation menor que a rodada anterior); full-ratchet reajusta preço ao menor valor da rodada nova (mais duro); weighted-average usa média ponderada (mais comum e equilibrado).
Drag-Along
Direito que permite à maioria dos sócios forçar os minoritários a venderem suas participações nas mesmas condições; facilita exits ao eliminar veto de minoria em transações de M&A.
Tag-Along
Direito do minoritário de participar da venda realizada pela maioria nas mesmas condições; protege sócios menores de ficarem presos com um novo controlador que não escolheram.
ROFR — Right of First Refusal
Direito de preferência de um sócio existente de comprar a participação de outro sócio que deseja sair, igualando a proposta de terceiro; evita entrada de sócios não aprovados pelos investidores.

Exits e M&A

IPO — Initial Public Offering
Abertura de capital via oferta primária ou secundária em bolsa de valores; liquidity event para fundadores e investidores; no Brasil, via B3 com registro CVM; process dura 6-18 meses.
OPA — Oferta Pública de Aquisição
Oferta feita por comprador a todos os acionistas de uma empresa listada para adquirir suas ações a preço definido; pode ser voluntária ou obrigatória (tag-along, cancelamento de registro CVM).
Venda de participação de um fundo de PE para outro fundo de PE; comum em ativos maduros onde o vendedor quer liquidez e o comprador vê potencial de criação de valor adicional na próxima fase.
Strategic Exit
Venda para empresa do mesmo setor ou setor adjacente que busca aquisição por sinergias operacionais ou acesso a mercado; geralmente paga prêmio maior que saída financeira.
Recapitalização
Reestruturação do balanço da empresa, geralmente substituindo equity por dívida; permite que investidores recuperem parte do capital sem vender a participação; não é exit mas gera liquidez parcial.
Dividend Recap
Modalidade de recapitalização em que a empresa toma dívida para pagar dividendo extraordinário ao GP/sócios; gera DPI sem saída do ativo; criticada quando eleva excessivamente a alavancagem.
Earn-out
Cláusula em M&A em que parte do preço de venda é pago no futuro, condicionado ao atingimento de metas financeiras ou operacionais; alinha incentivos do vendedor com a performance pós-aquisição.
Escrow
Conta bloqueada gerida por terceiro (banco ou advogado) que retém parte do pagamento de uma aquisição para cobrir eventuais indenizações por declarações e garantias; liberado após período de retenção (12-24 meses).

Regulatório BR

CVM 175
Resolução CVM de 2022 que consolidou as regras de fundos de investimento no Brasil; substituiu ICVM 555, 578, 579 e outras; define categorias de fundos, obrigações do administrador e gestor e regras de divulgação.
CVM 178
Resolução CVM de 2023 que atualizou regras de gestão de carteiras de valores mobiliários; define requisitos para credenciamento de gestores, segregação de funções e prevenção de conflito de interesse.
CVM 21
Instrução CVM (replicada na Res. 21) que regula oferta pública de distribuição de valores mobiliários; define obrigações do coordenador líder, processo de bookbuilding e responsabilidades do emissor.
CVM 30
Instrução histórica reformulada na Res. 30 que regula analistas de valores mobiliários e pesquisa de investimentos; define independência, restrições de negociação e divulgação de conflitos.
CVM 50
Resolução CVM que regulamenta consultores de valores mobiliários; estabelece requisitos de registro, habilitação técnica, limites de atuação e obrigações de adequação ao perfil do cliente.
ANBIMA Código ART — Administração de Recursos de Terceiros
Código de autorregulação da ANBIMA para gestoras e administradoras de fundos; define boas práticas de governança, documentação, divulgação e suitability; adesão voluntária mas praticamente obrigatória para distribuição.
CMN 4.661/2018
Resolução do Conselho Monetário Nacional que regula os investimentos de fundos de pensão (EFPC); limita alocação em FIPs a 20% da carteira; define segmentos de aplicação e limites por emissor.

Wealth Management

Wealth Management
Gestão integrada de patrimônio que combina investimentos, planejamento tributário, sucessório e previdenciário; voltado para clientes com patrimônio acima de R$ 1-3 milhões; pode ser oferecido por bancos, corretoras ou boutiques independentes.
Family Office
Estrutura dedicada exclusivamente a uma família para gerir seu patrimônio; contrata equipe própria de investimentos, jurídico e contabilidade; viável a partir de R$ 100-200 milhões de patrimônio líquido.
Multi-Family Office (MFO)
Empresa que presta serviços de family office para múltiplas famílias; dilui custo fixo; oferece acesso a gestores, fundos exclusivos e assessoria especializada sem o custo de estrutura própria.
Suitability — Adequação de Perfil
Processo regulatório (CVM 50 e Res. CVM 30) de verificar se um produto financeiro é adequado ao perfil de risco, horizonte e objetivo do investidor antes de recomendar ou distribuir.
Advisory vs Discretionary
Advisory: gestor recomenda e cliente aprova cada operação. Discretionary (discricionário): cliente delega ao gestor poder para operar sem aprovação caso a caso; exige mandato claro e acompanhamento por IPS (Investment Policy Statement).