No segmento insurtech — seguradoras digitais, corretagem online e plataformas de distribuição embarcada — o dado cadastral decide duas vezes: primeiro na subscrição (decidir aceitar e precificar o risco) e depois no antifraude de sinistro (decidir pagar ou contestar a indenização). Em 2026, com a fraude consumindo bilhões em sinistros suspeitos do setor segurador — R$ 3,36 bilhões só no primeiro semestre de 2025, dos quais R$ 734 milhões confirmados como fraude (fonte: CNseg, Sistema de Quantificação da Fraude, 2025, segs.com.br) —, a qualidade da base de dados cadastrais virou variável de margem, não de back-office. Este artigo mapeia onde os dados de PJ e PF entram na cadeia de seguros digitais — da validação cadastral ao KYB de corretoras — sob o novo desenho regulatório da SUSEP e do Open Insurance.

O que é insurtech — definição

CNseg, 2025 e 2026; SUSEP, 2026

Insurtech é a aplicação de tecnologia à cadeia de seguros: subscrição automatizada, precificação dinâmica, distribuição digital (inclusive seguro embarcado em jornadas de e-commerce, mobilidade e crédito), regulação de sinistro assistida por dados e modelos de prevenção à fraude. O termo abrange tanto seguradoras nativas digitais quanto corretoras tecnológicas e provedores de infraestrutura que servem seguradoras tradicionais.

O regulador do setor é a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), autarquia ligada ao Ministério da Fazenda que supervisiona seguros de danos, vida, previdência aberta e capitalização. Não confundir com a ANS, que regula a saúde suplementar. Em 2026, a SUSEP destacou que a inovação no setor deixou de ser apenas adoção de novas tecnologias e passou a depender de capacidade de execução, integração e adaptação das organizações (fonte: SUSEP, 2026, gov.br/susep).

Onde o dado cadastral entra na cadeia de seguros

Os quatro pontos em que o dado cadastral entra na cadeia de seguros

  1. 1
    Cotação e onboarding

    Validação cadastral do proponente, checagem de existência, consistência de endereço e geolocalização para tarifação territorial.

  2. 2
    Subscrição (underwriting)

    Enriquecimento do perfil de risco com vínculos societários, situação fiscal, eventos públicos e indícios de atividade real do CNPJ.

  3. 3
    Regulação do sinistro

    Antifraude no aviso e na liquidação: verificação de identidade, detecção de identidade sintética e cruzamento de fontes.

  4. 4
    Compliance e distribuição

    KYB de corretoras e parceiros, PLD/FT e checagem do status regulatório SUSEP dos intermediários.

Diferente do crédito, onde o consumo de dado se concentra no momento da concessão, o seguro consome dado em pelo menos quatro pontos distintos, cada um com função e tolerância a latência própria.

  1. Cotação e onboarding — validação cadastral do proponente (PF ou PJ), checagem de existência, consistência de endereço e geolocalização para tarifação territorial.
  2. Subscrição (underwriting) — enriquecimento do perfil de risco com sinais externos: vínculos societários, situação fiscal da empresa segurada, histórico de eventos públicos, indícios de atividade real do CNPJ.
  3. Regulação do sinistro — antifraude no momento do aviso e da liquidação: verificação de identidade do beneficiário, detecção de identidade sintética, cruzamento de dados para flagrar inconsistências.
  4. Compliance e distribuição — KYB das corretoras e parceiros, PLD/FT (prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo) e checagem de status regulatório SUSEP dos intermediários.

Subscrição e precificação: o dado como insumo de margem

Danos e Responsabilidades versus Pessoas: prêmios em 2025

Danos e Responsabilidades…R$ 144,5 biPessoas (+8,3%)R$ 78,8 bi
CNseg, 2026 (via SEGS)

Na subscrição, o objetivo é estimar a probabilidade e a severidade de um sinistro antes de aceitar o risco. Para o seguro de pessoas e automóvel, dados de PF dominam; para seguros patrimoniais, de responsabilidade civil, garantia, crédito e benefícios corporativos, o dado cadastral de PJ é decisivo. Aqui entram cobertura societária, beneficiário final, sinais de vida fiscal e operacional da empresa segurada — exatamente o que distingue uma PJ ativa e saudável de um CNPJ de fachada.

Os números mostram por que precificar errado dói. O setor segurador projeta arrecadação de R$ 808 bilhões em 2026, alta nominal de 5,7% — mas esse total agrega todos os ramos supervisionados pela CNseg, incluindo saúde suplementar (que deve crescer 9%) e previdência, e não apenas os seguros de danos e pessoas (fonte: CNseg, 2026, cnseg.org.br). Olhando só os ramos onde o dado cadastral de risco mais pesa, os seguros de Danos e Responsabilidades devem crescer 7,4% em 2026, e o habitacional, 12,8% (fonte: CNseg/InfoMoney, 2026, infomoney.com.br). Com volume desse porte, mesmo um pequeno desvio sistemático na seleção de risco se converte em sinistralidade fora da curva.

Quando a subscrição usa dado cadastral raso, a seleção adversa é silenciosa: o portfólio parece saudável até o ciclo de sinistros chegar. O dado externo de qualidade não elimina o risco — ele reduz a assimetria de informação entre quem compra e quem vende a apólice.

Open Insurance muda a fonte do dado

O Open Insurance (Sistema de Seguros Aberto) deixou de ser experimental e passou a impactar diretamente como seguros são distribuídos, integrados a outros serviços e consumidos, ampliando a interoperabilidade de dados (fonte: SUSEP/Insurtech Brasil, 2026, insurtech.com.br). A Fase 3 de implementação das APIs de serviços tem conclusão prevista para junho de 2026, com dezenas de empresas participantes entre seguradoras, entidades de previdência, capitalização e sociedades do Sandbox regulatório (fonte: Opin Brasil, 2026, opinbrasil.com.br).

O ponto operacional: o Open Insurance, mediante consentimento do cliente, dá acesso ao histórico de apólices e sinistros entre seguradoras — mas não entrega o dado cadastral de base (existência, vínculos societários, beneficiário final, geolocalização, situação fiscal). Esse insumo continua vindo de provedores de dados especializados. O Open Insurance complementa a visão de risco; não substitui a validação cadastral.

Antifraude de sinistro: a segunda decisão crítica

Se a subscrição erra para mais (rejeita bom risco), a seguradora perde negócio; se o antifraude erra para menos (paga sinistro fraudulento), perde dinheiro direto. A escala do problema no Brasil é material e específica do setor segurador: no primeiro semestre de 2025, os sinistros suspeitos de fraude somaram R$ 3,36 bilhões, equivalente a 15,1% do total registrado pelo Sistema de Quantificação da Fraude, dos quais R$ 734 milhões foram efetivamente comprovados como fraude (fonte: CNseg, 2025, segs.com.br). No ramo de Automóvel, cerca de 2,4% dos sinistros foram confirmados como irregulares ao longo de 2024 — distinção que importa, porque sinistro suspeito não é sinistro fraudado.

Os vetores de fraude que mais pressionam o setor em 2026 envolvem identidade:

  • Falsificação documental e declaração de valores superiores ao real para obter indenização maior.
  • Roubo de documento e falsificação de identidade, com tecnologias para burlar verificação biométrica e uso de dados vazados para pedir reembolsos fraudulentos.
  • Identidade sintética — combinação de dados verdadeiros e falsos para criar uma identidade nova que engana os sistemas de verificação da seguradora.

A identidade sintética é a fronteira mais difícil porque não há uma vítima individual reclamando: a identidade nunca existiu. No mercado financeiro brasileiro, esse vetor cresceu cerca de 140% em 2025 segundo a Serasa Experian — dado do setor financeiro, citado aqui como sinal de tendência de fraude de identidade que também alcança o seguro, e não como métrica do ramo segurador. A única defesa robusta é o cruzamento de múltiplas fontes cadastrais para detectar a incoerência entre atributos que, isolados, parecem legítimos.

EtapaDecisãoDado cadastral usadoCusto do erro
Cotação / onboardingAceitar a propostaValidação de existência, endereço, geolocalizaçãoAtrito; perda de conversão
Subscrição PJPrecificar o riscoSocietário, beneficiário final, sinais fiscais e operacionaisSeleção adversa; sinistralidade
SinistroPagar ou contestarIdentidade do beneficiário, antifraude, cruzamento de fontesPagamento fraudulento direto
KYB de corretoraCredenciar o parceiroCNPJ, CNAE, status SUSEP, sócios, PLD/FTRisco regulatório e reputacional

KYB de corretoras e a higiene do canal de distribuição

A insurtech raramente vende sozinha: distribui por corretoras, agentes e plataformas parceiras. Cada parceiro é um ponto de risco regulatório e de fraude. O KYB (Know Your Business) é o processo de conhecer e validar a empresa parceira — CNPJ ativo, CNAE compatível, quadro societário, beneficiário final e, no caso específico de seguros, o status do registro na SUSEP.

O sinal de alerta para 2026 é concreto: em janeiro de 2026 havia 9.665 corretores de seguros com registro suspenso, alta de 10,8% sobre janeiro de 2025, movimento ligado a processos de recadastramento e a exigências regulatórias mais rígidas (fonte: SUSEP/Gente Seguradora, 2026, genteseguradora.com.br). Credenciar ou manter ativo um intermediário com registro suspenso é exposição direta: comissões pagas indevidamente, contestação de apólices e risco de autuação. O KYB de corretora deixou de ser cadastro inicial e virou monitoramento contínuo.

Some-se a isso a obrigação de PLD/FT. A verificação do cliente (KYC) é mandatória na contratação de seguros e planos conforme regras da SUSEP, e o KYB do canal é a face societária do mesmo dever de diligência. Em ambos, o dado cadastral confiável é a fundação — sem ele, o controle vira teatro de compliance.

Geolocalização e tarifação territorial

Para seguros de automóvel, patrimonial e de bens, o endereço não é só campo de cadastro: é variável de pricing. A tarifação territorial depende de validar e geolocalizar com precisão o local de risco — CEP consistente, ponto exato, e checagem de que o endereço declarado corresponde a um imóvel real. Endereço falso ou impreciso degrada simultaneamente a precificação (subscrição) e a investigação (sinistro), porque o mesmo dado serve às duas pontas.

A agenda 2026: execução, IA e dado auditável

O Insurtech Brasil 2026, em sua 9ª edição, reuniu mais de 1,5 mil participantes em torno de Open Insurance, agentes de inteligência artificial, prevenção à fraude e novos modelos de distribuição (fonte: Insurtech Brasil, 2026, insurtech.com.br). Dois movimentos importam para quem compra dados.

Primeiro, a entrada de agentes de IA na operação de seguros — cotação, triagem de sinistro, atendimento. Agentes autônomos precisam consumir dado cadastral de forma estruturada e auditável, com proveniência (fonte e data) registrada, sob pena de propagar erro em escala. Segundo, a ampliação do Sandbox regulatório e do Sistema de Registro de Operações (SRO) da SUSEP, que aumenta a granularidade da supervisão e, por tabela, a exigência de rastreabilidade do dado que sustenta cada decisão de subscrição e sinistro (fonte: SUSEP, 2026, gov.br/susep).

A Datahub neste cenário

Quando o problema é validar quem é o proponente PJ, mapear o grafo societário de uma empresa segurada, monitorar continuamente o status de uma corretora parceira ou detectar a incoerência cadastral por trás de uma identidade sintética em sinistro, o gargalo é a profundidade e a frescura da base de dados cadastrais. A Datahub, provedora de dados cadastrais e inteligência de risco PJ/PF com mais de 20 anos de base proprietária (origem na Dataminer, desde 2004) dentro do grupo Nuvini (NASDAQ: NVNI), atua exatamente nessa camada: complemento e alternativa aos bureaus tradicionais onde cobertura societária PJ, flexibilidade de API e preço decidem.

Para a cadeia de seguros, as capacidades pertinentes são diretas: a validação cadastral com Munddi (geolocalização) sustenta o onboarding e a tarifação territorial; o KYB e grafo societário / beneficiário final dá lastro ao credenciamento de corretoras e à subscrição de risco PJ; o Operational Health Index mede sinais de vida fiscais e operacionais da empresa segurada; e o monitoramento e Timeline PJ transforma o KYB de evento único em vigilância contínua do canal. Para operações que adotam agentes de IA, o Score Compliance via MCP entrega KYB/PLD consumível por agentes via Model Context Protocol, com proveniência auditável — requisito do desenho regulatório que a SUSEP vem reforçando.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o dado do Open Insurance e o dado cadastral na subscrição de seguros?

O Open Insurance, mediante consentimento do cliente, compartilha histórico de apólices e sinistros entre seguradoras, enriquecendo a visão de risco de quem já é segurado. O dado cadastral de base — existência da PJ, vínculos societários, beneficiário final, geolocalização e sinais fiscais — vem de provedores especializados e é necessário inclusive para quem nunca teve apólice. Os dois são complementares: o Open Insurance não substitui a validação cadastral.

Por que a identidade sintética é o vetor de fraude mais difícil em sinistros?

Porque combina dados verdadeiros e falsos para criar uma identidade que nunca existiu, sem vítima individual para reclamar. Atributos isolados parecem legítimos; a fraude só aparece no cruzamento de múltiplas fontes cadastrais que revela a incoerência. No mercado financeiro brasileiro esse vetor cresceu cerca de 140% em 2025 (Serasa Experian), tendência que pressiona também o seguro e torna a checagem multi-fonte indispensável na regulação de sinistro.

O que é KYB de corretora e por que importa para uma insurtech?

KYB (Know Your Business) é validar a empresa parceira: CNPJ ativo, CNAE compatível, quadro societário, beneficiário final e status de registro na SUSEP. Importa porque a insurtech distribui via corretoras, e credenciar um intermediário com registro suspenso gera exposição regulatória e financeira. Em janeiro de 2026 havia 9.665 corretores com registro suspenso, alta de 10,8% no ano, o que exige monitoramento contínuo do canal.

Quanto a fraude pesa nos sinistros de seguros no Brasil?

No primeiro semestre de 2025, os sinistros suspeitos de fraude somaram R$ 3,36 bilhões, equivalentes a 15,1% do total registrado pelo Sistema de Quantificação da Fraude da CNseg — mas só R$ 734 milhões foram comprovados como fraude. No ramo de Automóvel, cerca de 2,4% dos sinistros foram confirmados como irregulares em 2024. Suspeita não é confirmação, mas o volume justifica investimento pesado em verificação de identidade e cruzamento de dados cadastrais na liquidação.

Como a SUSEP está mudando a exigência sobre dados em 2026?

A SUSEP vem ampliando o Sandbox regulatório, o Sistema de Registro de Operações (SRO) e o Open Insurance, e sinalizou que a inovação no setor depende de capacidade de execução e integração, não só de tecnologia. Na prática, isso aumenta a exigência de rastreabilidade e proveniência do dado que sustenta cada decisão de subscrição e de sinistro, especialmente quando agentes de IA passam a operar partes da cadeia.

Leia também no DataHub

Fontes

  1. CNseg — Setor de seguros projeta crescimento de 5,7% em 2026 e arrecadação de R$ 808 bilhões (2026)
  2. CNseg — Setor de seguros ultrapassa R$ 760 bilhões em arrecadação em 2025 (via SEGS) (2026)
  3. CNseg — Sistema de Quantificação da Fraude (2025)
  4. SUSEP — Veja como foi a participação da Susep no Insurtech Brasil 2026 (2026)
  5. Insurtech Brasil 2026 reúne mais de 1,5 mil participantes (2026)
  6. Opin Brasil — Portal oficial do Sistema de Seguros Aberto (2026)
  7. Gente Seguradora — SUSEP alerta para crescimento de corretores com registro suspenso (2026)
Aviso editorial. Conteúdo de curadoria editorial independente da Brasil GEO, baseado em materiais públicos da Stone Co. e do mercado financeiro. Não substitui aconselhamento profissional contábil ou financeiro. Tarifas, taxas e condições de produtos Stone são atualizadas periodicamente — confira valores vigentes em conteudo.stone.com.br/.

Próximos passos