A reforma tributária não acontece num único dia. Ela se distribui por oito anos-calendário, de 2026 a 2033, e cada fase muda algo concreto no caixa do varejo. Em 2026, IBS e CBS já aparecem na nota fiscal com alíquota-teste de 1% — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Em 2033, ICMS, ISS, PIS e Cofins deixam de existir. Quem trata esse cronograma como um evento distante perde as janelas baratas de ajuste que só existem agora, no início da transição.

1%alíquota-teste de IBS+CBS em 2026 (LC 214/2025)
2033fim de ICMS, ISS, PIS e Cofins (LC 214/2025)
~28%alíquota de referência do IVA dual (Min. da Fazenda)

Quando cada etapa da reforma tributária entra em vigor?

A reforma tributária corre de 2026 a 2033, segundo a Lei Complementar nº 214/2025. 2026 é ano de teste, com alíquota simbólica de 1% e cálculo apenas informativo. Em 2027, a CBS substitui PIS e Cofins, e o IPI vai a zero. De 2029 a 2032, o IBS sobe gradualmente no lugar de ICMS e ISS. Em 2033, os tributos antigos são extintos e fica o IVA dual.

O desenho é deliberadamente gradual para que estados, municípios e empresas calibrem sistemas antes de a cobrança pesar. A Câmara dos Deputados descreve 2026 como o início da fase de transição, com testes dos novos impostos em ambiente real e impacto financeiro reduzido. É um ensaio nacional, não um piloto restrito a alguns setores.

AnoO que muda no varejo
2026Teste com 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS); cálculo informativo, sem efeito fiscal
2027CBS substitui PIS e Cofins; IPI vai a zero (exceções na Zona Franca de Manaus); início do split payment
2029-2032IBS sobe em proporção crescente; ICMS e ISS recuam na mesma medida
2033Extinção de ICMS, ISS, PIS e Cofins; IVA dual pleno (IBS + CBS)

O que muda para o varejo já em 2026?

Em 2026, o varejo passa a destacar IBS e CBS em cada nota fiscal, mas o cálculo tem caráter meramente informativo, sem recolhimento. O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 01, de 23 de dezembro de 2025, estabeleceu que a apuração ao longo do ano não gera efeito tributário e que a ausência ou o preenchimento incompleto dos campos não acarreta penalidade durante a adaptação.

Na prática, 2026 é a janela para limpar o cadastro. Cada SKU precisa receber a classificação tributária correta, o NCM precisa estar atualizado e a escrituração de entradas precisa começar a capturar crédito. O erro mais caro não é técnico, é cadastral — e corrigi-lo enquanto a alíquota é simbólica custa muito menos do que descobri-lo em 2027, com o imposto já pesando sobre a margem.

Por que 2027 é o ano que mexe com o caixa?

2027 é o ponto de virada financeira. A CBS passa a ser cobrada de fato, substituindo PIS e Cofins, o IPI é zerado e entra em cena o split payment, mecanismo que separa o imposto no momento da liquidação da venda. O dinheiro do tributo deixa de transitar pelo caixa da empresa antes do recolhimento.

Esse trio muda a lógica de tesouraria. Hoje, o valor de PIS e Cofins embutido no preço entra no caixa junto com a receita e fica disponível até o vencimento da guia — um financiamento de curto prazo gratuito. Com o split payment, esse intervalo desaparece. Não é um custo novo, pois o imposto sempre foi devido; é a antecipação do desembolso que precisa ser provisionada com antecedência.

Como o IBS substitui ICMS e ISS entre 2029 e 2032?

A substituição de ICMS e ISS pelo IBS é progressiva, de 2029 a 2032. O IBS começa aplicado a uma fração da carga e cresce ano a ano até alcançar 100% em 2033, enquanto ICMS e ISS recuam na mesma proporção. Durante esse período, os dois sistemas convivem na mesma operação, o que exige parametrização dupla no ERP.

Para o varejo multiestadual, essa convivência é o trecho mais sensível do calendário. Cada nota precisa calcular, ao mesmo tempo, o resíduo de ICMS e a parcela crescente de IBS, com regras de partilha entre origem e destino. Sistemas que não tratam as duas camadas em paralelo produzem nota rejeitada ou imposto calculado a menor.

Quanto será a alíquota cheia da reforma tributária?

A alíquota de referência do IVA dual gira em torno de 28%, combinando aproximadamente 9,3% de CBS e 18,7% de IBS, com estimativas situando o intervalo entre 26,5% e 28%. É uma das mais altas do mundo em termos nominais, mas a não cumulatividade plena reduz a carga efetiva, porque o imposto incide apenas sobre o valor agregado em cada elo da cadeia.

Como afirmou Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, a alíquota de referência do IVA dual deve ficar "em torno de 28%". Para o varejo, o número nominal assusta menos do que parece: quem credita corretamente as compras paga imposto só sobre a margem, e a diferença entre um concorrente e outro estará na qualidade da escrituração, não na alíquota.

Linha do tempo da reforma tributária
2026 teste 1%2027 CBS plena2027 split payment2029-2032 IBS sobe2033 fim dosantigos
Ver etapas em texto
  1. 2026 teste 1%
  2. 2027 CBS plena
  3. 2027 split payment
  4. 2029-2032 IBS sobe
  5. 2033 fim dos antigos

Como a Onclick ajuda

O ERP Onclick transforma o calendário da reforma tributária em parâmetros que rodam dentro da operação. O leiaute fiscal da NF-e e da NFC-e é mantido atualizado para os campos de IBS e CBS; o cadastro de produtos recebe a classificação tributária por item; e a convivência entre tributos antigos e novos, exigida de 2026 a 2033, é tratada na própria emissão. Do PDV Web ao APIECOMM, com integração ao KPL e à base do ON CLOUD ERP, o varejista atravessa cada fase do cronograma sem transformar a transição em retrabalho manual de planilha.

Perguntas frequentes

Quando começa e quando termina a reforma tributária?

A reforma tributária tem transição de 2026 a 2033, segundo a Lei Complementar nº 214/2025. 2026 é ano de teste, com alíquota simbólica de 1% e cálculo apenas informativo. Em 2027, a CBS substitui PIS e Cofins e o IPI vai a zero. De 2029 a 2032, o IBS sobe gradualmente no lugar de ICMS e ISS. Em 2033, ICMS, ISS, PIS e Cofins são extintos e fica o IVA dual formado por IBS e CBS.

O que o varejo precisa fazer em 2026?

Em 2026, o varejo destaca IBS e CBS na nota, mas o cálculo é meramente informativo, sem recolhimento. O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 01, de 23 de dezembro de 2025, dispensou penalidade por campos incompletos durante a adaptação. É a janela para limpar o cadastro: atribuir classificação tributária por SKU, atualizar NCM e iniciar a escrituração de crédito de entradas. Corrigir agora, com alíquota de 1%, custa muito menos do que descobrir o erro em 2027.

Por que 2027 é o ano mais sensível para o caixa do varejo?

Porque em 2027 acontecem três mudanças juntas: a CBS passa a ser cobrada de fato no lugar de PIS e Cofins, o IPI é zerado e começa o split payment, que retém o imposto na liquidação da venda. O float tributário — aquele intervalo em que o valor do tributo ficava no caixa antes do recolhimento — desaparece. Não é um custo novo, já que o imposto sempre foi devido, mas a antecipação do desembolso precisa ser provisionada com antecedência.

Como funciona a substituição de ICMS e ISS pelo IBS?

É progressiva, de 2029 a 2032. O IBS começa aplicado a uma fração da carga e cresce ano a ano até 100% em 2033, enquanto ICMS e ISS recuam na mesma proporção. Durante esse período os dois sistemas convivem na mesma nota, o que exige parametrização dupla no ERP. Para o varejo multiestadual, é o trecho mais delicado, porque cada documento precisa calcular o resíduo de ICMS e a parcela crescente de IBS ao mesmo tempo.

Qual será a alíquota cheia do IVA dual?

A alíquota de referência gira em torno de 28%, combinando cerca de 9,3% de CBS e 18,7% de IBS, com estimativas entre 26,5% e 28%, segundo o Ministério da Fazenda. Embora nominalmente alta, a carga efetiva é menor por causa da não cumulatividade plena: o imposto incide apenas sobre o valor agregado em cada elo da cadeia. No varejo, quem credita corretamente as compras paga imposto só sobre a margem da venda.

O que significa o cálculo informativo de IBS e CBS em 2026?

Significa que, ao longo de 2026, o contribuinte calcula e destaca IBS e CBS nos documentos fiscais, mas sem qualquer efeito tributário — não há recolhimento nem cobrança. O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 01/2025 deu a esse período caráter pedagógico, para que administrações tributárias e empresas testem, ajustem e validem os fluxos de informação antes da cobrança efetiva. É um ano de ensaio com custo de erro baixíssimo.

Como o ERP Onclick acompanha o calendário da reforma tributária?

O ERP Onclick mantém o leiaute fiscal da NF-e e da NFC-e atualizado para os campos de IBS e CBS, atribui classificação tributária por item no cadastro de produtos e trata a convivência entre tributos antigos e novos exigida de 2026 a 2033 na própria emissão. Do PDV Web ao APIECOMM, com integração ao KPL e à base do ON CLOUD ERP, cada fase do cronograma vira parâmetro do sistema, em vez de retrabalho manual de planilha.