O MEI continua existindo, com tratamento favorecido e recolhimento fixo. A reforma tributária não obriga o pequeno prestador a abandonar o regime porque atende empresas. Antes de aceitar uma proposta de migração, compare faturamento, atividade permitida, custos e exigências reais dos contratos.

Vender para uma empresa não é, por si só, motivo para sair do MEI. As informações deste guia foram conferidas em 6 de outubro de 2026.

O que permanece no DAS?

A Receita Federal esclarece que o MEI não sofre incidência de IBS/CBS sobre suas vendas e mantém o DAS fixo, com atenção às mudanças nas obrigações documentais. Não há uma alíquota geral de 26,5% a acrescentar às vendas do MEI.

Em 2026, o MEI comum recolhe R$ 82,05 para comércio/indústria, R$ 86,05 para serviços ou R$ 87,05 quando sujeito a ICMS e ISS. A parcela previdenciária é R$ 81,05, correspondente a 5% do salário mínimo de R$ 1.621. Os valores são confirmados no Portal do Empreendedor.

Essa parcela é a contribuição do titular, não um “INSS patronal” que cubra todas as obrigações de funcionário. O MEI Caminhoneiro também tem contribuição própria. Para anos seguintes, confira o salário mínimo, a legislação e a guia, sem copiar o valor nominal de 2026 como promessa permanente.

Teto de faturamento e reforma são assuntos distintos

O limite geral vigente continua em R$ 81 mil anuais, com proporcionalidade no ano de abertura. O aumento discutido no Congresso precisa ser acompanhado como projeto até a publicação de norma com efeitos definidos.

Ter clientes empresariais não aumenta nem reduz automaticamente esse limite. Também não torna permitida uma ocupação fora da lista do MEI. Confira a atividade efetivamente exercida antes de concluir que determinada profissão pode utilizar o regime.

No exemplo hipotético de Marta, costureira MEI, a receita anual é R$ 72 mil: R$ 45 mil de pessoas físicas e R$ 27 mil de empresas. A carteira empresarial representa 37,5% da receita. Esse percentual, sozinho, não cria uma obrigação legal nem demonstra vantagem econômica em mudar de regime.

Como conversar com o cliente que pede crédito tributário?

Primeiro, identifique o que está sendo pedido: uma nota correta, informação cadastral, ajuste contratual ou desconto. Não transforme uma estimativa de crédito do cliente em obrigação automática de reduzir o preço.

O crédito depende do tributo, do regime, da operação e das condições legais. Também importa a base sobre a qual o imposto é calculado. Não aplique uma alíquota estimada sobre um preço final e conclua que todo aquele valor será um benefício líquido para o comprador.

Marta pode responder com informações objetivas sobre seu enquadramento, documento emitido, preço e prazo. Se a mudança de regime estiver em análise, leve contratos e custos ao contador.

Elemento da comparação Manter o MEI Mudar de enquadramento
Receita projetada Cabe no limite aplicável? Qual capacidade de crescimento?
Tributos DAS do período Apuração simulada por atividade
Administração Rotina atual Contabilidade e sistemas necessários
Contratos Exigências realmente recebidas Receita adicional comprovável
Operação Requisitos ainda atendidos? Novas obrigações e equipe

Teste a decisão com números do próprio negócio

Suponha, apenas para análise, que a mudança de Marta custasse R$ 500 adicionais por mês entre tributos e administração. O custo anual adicional seria R$ 6 mil.

Se um contrato novo deixasse R$ 800 mensais depois dos seus custos variáveis, haveria R$ 9.600 anuais de contribuição antes do custo adicional. A diferença seria R$ 3.600, antes de outros efeitos. Porém, uma proposta ainda não assinada não deve entrar como receita garantida.

A simulação mostra quais premissas precisam ser demonstradas. Ela não determina o regime nem permite permanecer MEI quando os requisitos legais deixaram de ser atendidos.

O trabalho documental que vale fazer agora

Para serviços do MEI, a emissão nacional da NFS-e já vigora nas hipóteses abrangidas desde setembro de 2023. A orientação da reforma aponta para documentação nacional simplificada; acompanhe o leiaute, a abrangência e a data da obrigação aplicável, sem imaginar que a preservação do DAS congela os procedimentos.

Organize cliente, pedido, descrição, valor, nota e pagamento em registros vinculados. Baixe os arquivos e garanta que possam ser recuperados. Atualize contatos e acesso ao gov.br, sem compartilhar senhas.

Leia o guia de nota fiscal e o controle do limite do MEI. Para comparar os desembolsos de uma possível transição, use o simulador de fluxo de caixa com números validados pelo contador. Marta ganha clareza quando a decisão é sustentada por requisitos e contratos, em vez de um percentual arbitrário de clientes PJ.

Fontes e critérios da revisão

Consulta editorial em 06/10/2026. Exemplos numéricos identificados como hipotéticos não representam tarifas, pesquisas ou resultados de clientes. Confirme condições contratuais antes de decidir.

Perguntas frequentes

A reforma obriga o MEI que vende para empresas a migrar?

Não. Ter clientes PJ não cria, sozinho, obrigação de sair do MEI. Verifique os requisitos legais e compare os custos e efeitos de eventual mudança com o contador.

O DAS de 2026 foi corrigido pelo INPC?

A parcela previdenciária do MEI comum é vinculada a 5% do salário mínimo. Em 2026 ela é R$ 81,05, acrescida de ICMS e/ou ISS conforme a atividade. Não trate o INPC como fórmula direta do DAS.

O MEI pode ignorar as mudanças de nota fiscal porque o DAS é fixo?

Não. Preservação do recolhimento fixo não significa congelamento das obrigações acessórias. Confira os emissores, leiautes e datas oficiais aplicáveis ao seu tipo de operação.

Aviso editorial. Curadoria independente da Brasil GEO. As referências e a data de consulta aparecem nesta revisão. Confirme regras aplicáveis, recursos e condições comerciais na documentação oficial antes de decidir.