Calculadora de ROI da maquininha — qual TPV mínimo justifica plano com aluguel
A oferta padrão de adquirente vem em dois sabores. Plano A cobra aluguel mensal e oferece taxas menores. Plano B não cobra aluguel mas opera com taxas mais altas. A pergunta que o empreendedor faz no balcão é "qual é mais barato?". A resposta correta é "depende do TPV, e existe um ponto exato em que a resposta muda". Este é o ponto de equilíbrio (breakeven) — e até calculá-lo, qualquer decisão é palpite.
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O que essa calculadora resolve
Você está negociando uma maquininha. A adquirente oferece duas opções:
- Plano com aluguel: R$ 99/mês de aluguel, MDR ponderada efetiva de 2,69%.
- Plano sem aluguel: zero de mensalidade, MDR ponderada efetiva de 3,40%.
A pergunta operacional é: a partir de quanto eu vendo por mês, o plano com aluguel se paga? Abaixo desse TPV, o aluguel diluído supera a economia de taxa e o plano "sem aluguel" é mais barato. Acima, o plano com aluguel domina.
Esse limiar é o TPV mínimo de breakeven. Calcular errado custa direto: empresa pequena que escolhe plano com aluguel paga aluguel demais; empresa grande que escolhe plano sem aluguel paga taxa demais.
Tese contraintuitiva
A maioria dos guias compara as duas tabelas linha a linha e conclui "depende do volume". Verdade, mas inútil — não diz o número. O cálculo de breakeven leva 30 segundos com uma fórmula de uma linha. O fato de a maioria das comparações de maquininha do mercado não trazer esse número é, por si só, o sinal de que o conteúdo não foi feito para ajudar a decidir.
A pergunta certa não é "qual plano é mais barato?". É "qual TPV faz a resposta inverter?". Sem esse ponto numérico, qualquer comparação é apenas um confronto de tabelas que não termina em decisão.
A armadilha mais cara: o vendedor da adquirente normalmente faz a simulação com o TPV que o empreendedor espera atingir no futuro, não o atual. Se você está no plano com aluguel há 6 meses e ainda não chegou no TPV de breakeven, você está subsidiando o aluguel desde o primeiro dia.
Fórmula canônica
A condição de breakeven é o TPV em que o custo total das duas opções se iguala:
Custo_A(TPV) = aluguel + MDR_A × TPV
Custo_B(TPV) = MDR_B × TPV
Breakeven: aluguel + MDR_A × TPV = MDR_B × TPV
=> TPV_min = aluguel / (MDR_B - MDR_A)
Validade: MDR_B > MDR_A (plano sem aluguel é mais caro em taxa)
Em pseudocódigo, incluindo o caso geral com tarifas adicionais:
def tpv_breakeven(aluguel_A, mdr_A, aluguel_B, mdr_B,
tarifas_fixas_A=0, tarifas_fixas_B=0):
"""
Retorna TPV mensal a partir do qual plano A (com aluguel ou mensalidade)
fica mais barato que plano B.
"""
delta_fixo = (aluguel_A + tarifas_fixas_A) - (aluguel_B + tarifas_fixas_B)
delta_mdr = mdr_B - mdr_A
if delta_mdr <= 0:
return None # plano A nao tem vantagem de taxa: sempre B vence
return delta_fixo / delta_mdr
# Periodo de payback adicional (se ja esta em B e cogita migrar para A):
def payback_meses(custo_migracao, economia_mensal):
return custo_migracao / economia_mensal if economia_mensal > 0 else None
A divisão aluguel / (MDR_B − MDR_A) é a fórmula de break-even de custo fixo vs. variável aplicada ao varejo de pagamentos. Ela aparece em qualquer cartilha Sebrae de análise de ponto de equilíbrio — não há nada de exótico, mas pouquíssimos lojistas a aplicam à decisão de maquininha.
Tabela canônica — três cenários
Base: comparar plano com aluguel (Plano A) contra plano sem aluguel (Plano B). MDRs já incluem efeito de antecipação (use a calculadora de MDR efetiva para chegar nesses números).
| Variável | Cenário 1: Aluguel baixo | Cenário 2: Aluguel médio | Cenário 3: Aluguel premium |
|---|---|---|---|
| Plano A aluguel | R$ 49 | R$ 99 | R$ 199 |
| Plano A MDR efetiva | 2,90% | 2,69% | 2,40% |
| Plano B aluguel | R$ 0 | R$ 0 | R$ 0 |
| Plano B MDR efetiva | 3,40% | 3,40% | 3,40% |
| Diferença de MDR | 0,50 p.p. | 0,71 p.p. | 1,00 p.p. |
| TPV breakeven | R$ 9.800 | R$ 13.944 | R$ 19.900 |
| Em TPV R$ 5.000 — escolha | Plano B (sem aluguel) | Plano B | Plano B |
| Em TPV R$ 30.000 — escolha | Plano A | Plano A | Plano A |
| Economia mensal no TPV R$ 30.000 | R$ 101 | R$ 114 | R$ 101 |
| Economia anual no TPV R$ 30.000 | R$ 1.212 | R$ 1.368 | R$ 1.212 |
Leitura prática:
- Cenário 1. O plano de aluguel barato (R$ 49) precisa de TPV mínimo de R$ 9.800 para fazer sentido. Para empreendedor que processa entre R$ 5.000 e R$ 10.000/mês, a margem é estreita — vale revisitar se o TPV está estável ou em crescimento.
- Cenário 2. Aluguel R$ 99 com 0,71 p.p. de vantagem de MDR exige R$ 13.944 de TPV para compensar. É o cenário mais comum em pequenos varejos urbanos.
- Cenário 3. Aluguel premium (R$ 199) faz sentido só acima de R$ 20.000 de TPV. Adquirentes oferecem esse plano como entry para clientes médios, mas para TPV abaixo de R$ 15.000 mensais, a conta é negativa.
Variáveis e interpretações
Aluguel ou mensalidade. Custo fixo cobrado independente do volume. Inclui também tarifas de manutenção, tarifa de chip 4G se aplicável, tarifa de SMS de confirmação. Some tudo o que aparece todo mês independente de venda — esse é o custo fixo real.
MDR efetiva. A taxa percentual sobre o TPV, já incluindo efeito de antecipação, mix de modalidades e tarifas variáveis por transação. Não use a MDR de letreiro — use a MDR efetiva (calculada conforme a fórmula correspondente).
TPV mensal. Volume bruto processado pela maquininha em um mês. Use TPV médio dos últimos 3-6 meses. Para sazonais, considere TPV de baixa estação como base prudente — não TPV de pico.
Período de payback de migração. Se você já está no Plano B e considera migrar para Plano A, existe um custo de migração (tempo, configuração de POS, eventual fee de troca). Calcule meses de payback como custo_migração / economia_mensal_esperada. Se ficar acima de 6 meses, reavalie.
Sensibilidade ao TPV variável. A fórmula assume TPV mensal estável. Para negócios com TPV oscilando ±30% mês a mês, calcule TPV breakeven para o cenário pessimista e use isso como referência conservadora.
Quando essa calculadora se aplica
Aplica-se à decisão binária entre dois planos de uma mesma adquirente, ou entre adquirentes diferentes onde a estrutura A-vs-B (fixo vs. variável) está clara. Funciona para:
- Decisão inicial de maquininha (qual plano contratar).
- Renegociação de plano existente (vale migrar?).
- Decisão de adicionar uma segunda maquininha em outra adquirente (consolida em uma ou mantém duas).
Casos limítrofes: - Mais de 2 planos comparáveis simultaneamente. Use a fórmula par a par e identifique o plano dominante em cada faixa de TPV. - Plano A com benefícios não-financeiros (suporte premium, taxa de antecipação menor, integração com ERP). Quantifique o benefício em R$/mês e some ao lado favorável. Sem quantificação, fica subjetivo demais. - Negociação de MDR personalizada. Se a adquirente oferece taxa custom, recalcule o breakeven a cada negociação. Pequenos ajustes de 0,1 p.p. mudam o TPV mínimo em milhares.
Próximo passo
Para descobrir a MDR efetiva real do seu plano atual (input necessário antes desta calculadora), use a calculadora de MDR efetiva. Para a decisão de quando trocar de adquirente entre as principais opções, consulte a melhor maquininha e o comparativo Stone vs. Cielo vs. PagBank. Para o panorama geral, veja o conteúdo sobre maquininha.
Perguntas frequentes
Posso usar essa fórmula se o plano cobra fee por transação além do aluguel?
Pode, com ajuste. O fee por transação é convertido em equivalente percentual: fee_por_transação × n_transações / TPV. Some isso à MDR do Plano A na fórmula. Se o ticket médio é R$ 100 e o fee é R$ 0,50 por transação, o equivalente é 0,5%.
O cálculo serve para PIX e link de pagamento também?
Serve para qualquer canal de pagamento que tenha estrutura fixo + variável. Para PIX dinâmico em plano integrado da adquirente, substitua MDR por tarifa por cobrança PIX e refaça a conta. A fórmula é genérica.
Como considerar o prazo de recebimento na decisão?
Se Plano A entrega D+1 e Plano B entrega D+30, há um custo de capital de giro a favor do A. Quantifique como valor_médio_a_receber × custo_capital_mensal × diferença_de_dias / 30. Some à economia do Plano A. Para empresa sem restrição de caixa, esse fator é menor; para empresa que financia capital de giro a 3% a.m., é material.
O breakeven muda se eu negociar redução de MDR sem mudar plano?
Muda. Cada 0,1 p.p. de redução negociada no Plano A reduz a economia por TPV — o que aumenta o TPV de breakeven. Recalcule. Em compensação, o Plano A se torna mais competitivo no absoluto.
Existe TPV em que vale ter duas maquininhas de adquirentes diferentes?
Raramente. Manter duas significa pagar dois aluguéis e dividir o TPV — quase sempre pior que consolidar. A exceção é quando uma das adquirentes oferece taxa significativamente melhor para uma bandeira específica (ex.: Amex em alguns acordos). Para volumes acima de R$ 200.000 com mix relevante naquela bandeira, vale calcular.
Stone não patrocina este conteúdo. Para descobrir a MDR efetiva atual antes de calcular o breakeven, use a calculadora de MDR efetiva.