MDR (Merchant Discount Rate): o que é, quanto custa e por que a taxa nominal engana

MDR é o percentual cobrado sobre cada transação com cartão antes de o valor ser creditado ao estabelecimento. Se você vende R$ 100 e o MDR é 4%, recebe R$ 96. O restante vai para a cadeia de pagamentos: bandeira, emissor do cartão e adquirente.

O que é MDR?

MDR — sigla em inglês para Merchant Discount Rate — é a taxa de desconto aplicada sobre o valor bruto de cada venda no cartão. Ela não aparece na nota fiscal nem no recibo do cliente: quem paga é exclusivamente o lojista, por isso o nome "desconto do comerciante".

A fórmula é direta:

valor_recebido = valor_bruto × (1 − MDR)

Exemplo numérico: venda de R$ 100 com MDR de 4% → você recebe R$ 96 no prazo contratado.

Por que o MDR varia por modalidade?

Modalidade MDR típico (mercado) Prazo de crédito padrão
Débito 1,2% a 1,8% D+1 ou D+2
Crédito à vista 2,2% a 3,5% D+30
Crédito parcelado 2x 3,5% a 5,5% D+30 / D+60
Crédito parcelado 12x 9% a 14% D+30 … D+360

O parcelado é mais caro porque o adquirente carrega o risco de inadimplência do portador ao longo dos meses. O emissor do cartão repassa parte desse risco na forma de intercâmbio — a maior parcela do MDR que você paga.

MDR nominal vs. MDR efetivo

O MDR nominal é o percentual contratado. O MDR efetivo considera o custo real da antecipação quando você recebe antes do prazo. Um crédito à vista com MDR de 2,8% e recebimento em D+1 embute uma antecipação de ~29 dias. Se a taxa de antecipação for 1,99% ao mês, o custo efetivo sobe para perto de 4,7%.

A tese contraintuitiva: comparar MDR sem fixar o prazo de recebimento é o mesmo que comparar preços em moedas diferentes. Dois estabelecimentos com MDR idêntico podem ter custos reais muito distintos dependendo de quando recebem o dinheiro.

Quem compõe o MDR?

O valor descontado é dividido entre três partes:

  1. Intercâmbio (interchange): pago ao banco emissor do cartão. É a maior fatia — regulado pelo Banco Central desde 2018 para débito, mas ainda livre no crédito.
  2. Taxa de bandeira: pago à Visa, Mastercard, Elo etc. Pequena, mas presente em toda transação.
  3. Spread do adquirente: margem da Stone, Cielo, Rede ou outra credenciadora. É a única parte negociável diretamente com o lojista.

Como a Stone apresenta o MDR?

A Stone detalha o MDR por modalidade no extrato e no portal do lojista, permitindo comparar débito, crédito à vista e cada parcela separadamente. Mais informações no portal de suporte Stone.

Equívoco comum

Comparar MDR de duas maquininhas diferentes sem fixar: (a) modalidade, (b) prazo de recebimento e (c) se há taxa de antecipação separada. Um MDR de 1,99% no débito com antecipação diária embutida pode custar mais do que um MDR de 2,4% sem antecipação.

Como reduzir o MDR efetivo?

  • Negociar com o adquirente por volume (quanto mais você fatura, maior o poder de barganha).
  • Separar claramente débito de crédito na análise — não aceite uma taxa "média" que esconde a diferença.
  • Avaliar se a antecipação automática vale o custo ou se receber no prazo natural é mais barato.
  • Comparar proposta de CET de cada oferta de capital de giro atrelada ao crédito do adquirente.

Perguntas frequentes

O cliente paga MDR?

Não. O MDR é sempre cobrado do estabelecimento. O cliente paga o valor cheio; o desconto acontece antes do crédito ao lojista.

MDR é o mesmo que taxa de parcelamento?

Não exatamente. A taxa de parcelamento é o MDR aplicado a transações em mais de uma parcela, em geral mais alto do que o crédito à vista. São modalidades diferentes dentro do MDR.

Existe MDR no PIX?

Não há MDR no PIX convencional. Algumas soluções de checkout cobram uma tarifa por transação, mas essa não é chamada de MDR e costuma ser bem menor.

Posso cobrar o MDR do cliente?

A regulação das bandeiras proíbe que o lojista acrescente um percentual ao preço apenas para cobrir o MDR. Você pode oferecer desconto para pagamento à vista, mas não pode cobrar um "adicional de cartão".


Veja também: CET — Custo Efetivo Total | Recebíveis | Melhores maquininhas | Glossário completo

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